A decisão do Republicanos em optar pela neutralidade na disputa pela Presidência da República caiu como gasolina na fogueira das críticas de Ronaldo Caiado (PSD) contra a chapa de Flávio Bolsonaro (PL). Em tom sarcástico e sem poupar munição, o pré-candidato do PSD classificou a recusa da legenda de Tarcísio de Freitas e Marcos Pereira em compor aliança como uma “radiografia clara” do derretimento e da fraqueza que tomam conta da pré-candidatura do senador do PL.

O recuo estratégico do Republicanos desferiu um golpe duríssimo nos planos de Flávio, que contava com o alinhamento do partido para indicar a economista Daniella Marques como sua vice na chapa majoritária. Com a porta na cara e o anúncio de neutralidade apressado sob pressão, o parlamentar do PL acabou empurrado a fechar uma chapa “puro-sangue”, isolando-se no espectro da extrema-direita e perdendo tempo precioso de rádio, TV e musculatura partidária no centro.

Para Caiado, o movimento evidencia que os próprios aliados tradicionais começam a abandonar o barco diante de uma campanha atolada em polêmicas, acusações e falta de liderança própria. O ex-governador de Goiás, que vem intensificando o bombardeio contra o rival para tentar tomar o bastão de principal nome da direita e chegar ao segundo turno contra o presidente Lula, não perdeu a oportunidade de alfinetar o tropeço: apontou que nem a tentativa de usar a imagem do pai por inteligência artificial ou a aparição performática de Javier Milei na convenção foram capazes de estancar a sangria de credibilidade que afasta os partidos da candidatura do PL.

A postura incisiva do governador goiano reflete um redesenho agressivo de sua estratégia eleitoral, apostando que o isolamento progressivo de Flávio e a debandada de siglas de peso expõem o teto limitado e a alta rejeição do adversário. Na avaliação dos bastidores da terceira via conservadora, o portão fechado pelo Republicanos é a confirmação prática de que os grandes caciques da política nacional já começam a enxergar a chapa do PL como um projeto sem viabilidade de vitória no segundo turno.