A política de Mato Grosso virou um autêntico hospício de bastidores nas últimas horas. Desde que a tumultuada convenção do União Brasil expôs as entranhas do partido e rendeu ao ex-governador Mauro Mendes a incômoda alcunha de “traidor” por parte expressiva da própria militância, o Palácio Paiaguás entrou em combustão operacional. Em uma tentativa desesperada de conter a sangria e evitar o isolamento total da pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), a cúpula governista passou a disparar cartadas atabalhoadas para todos os lados, colhendo portas na cara, recuos vexatórios e um racha sem precedentes no seu antigo arco de apoio.
A saga dos desacertos governistas ganhou contornos de comédia pastelão na tentativa de seduzir o Podemos. Na esperança de estancar a debandada do grupo comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, Mauro e Pivetta tentaram rifar as pretensões do partido oferecendo nada menos que a acanhada segunda suplência na chapa ao Senado encabeçada por Mauro. A oferta foi recebida pela cúpula do Podemos não como um aceno, mas como uma humilhação acapachante. A resposta veio em tom de desabafo e troco imediato: na noite desta segunda-feira (3), o Podemos oficializou o lançamento da candidatura própria ao Governo do Estado, escalando o empresário Elson Ramos (proprietário do grupo Ditado Popular e destaque na reestruturação dos shows da Exposul) para bater de frente com a máquina estadual.
Enquanto o Podemos batia a porta, o teatro da vice-governadoria na chapa de Pivetta virou uma novela de reviravoltas diárias. Após passar dias negando qualquer intenção de compor com a deputada estadual Janaina Riva (MDB) — em uma manobra de conveniência ensaiada somente após a consolidação irreversível do casamento entre o MDB e o PL de Wellington Fagundes —, Mauro Mendes tentou impor monocraticamente o nome do seu ex-secretário Rogério Gallo (União Brasil). No entanto, sob o risco iminente de ver o resto da base aliada explodir, o União Brasil recuou no apagar das luzes de segunda-feira e anunciou o ex-secretário da Casa Civil e deputado federal Fábio Garcia para figurar como vice na chapa de Pivetta.
Apesar da correria e dos anúncios ostensivos feitos nos gabinetes, o cenário no tabuleiro mato-grossense prova que em política a palavra “definitivo” dura até a próxima ligação. A terça-feira (4) chega como o Dia D das convenções partidárias — com Podemos, MDB, Republicanos e aliados reunidos para formalizar ou alterar suas atas finais. Até que os documentos estejam devidamente homologados e registrados no Tribunal Regional Eleitoral, a política de Mato Grosso segue em ritmo de briga de foice no escuro, onde traições de última hora, composições relâmpago e puxões de tapete prometem redesenhar o destino do Palácio Paiaguás antes do apito final.
