A revolta dos prefeitos do PL contra a aliança firmada pelo senador Wellington Fagundes com o MDB da deputada Janaina Riva começou a ruir pelo Norte de Mato Grosso. Em um movimento que sinaliza o enfraquecimento do motim liderado por alas radicais da legenda, o prefeito de Sinop, Roberto Dorner (PL), tratou de se distanciar publicamente do bloco rebelde e declarou apoio irrestrito à pré-candidatura de Wellington ao Governo do Estado. A postura de Dorner é vista nos bastidores como o pavio para uma debandada de gestores que, após o susto inicial e a firmeza da direção nacional do PL, preferiram recolher os descontentamentos e garantir alinhamento com a chapa majoritária.
A decisão do prefeito da Capital do Agronegócio expõe o pragmatismo político que começa a prevalecer na base liberal. Ao abençoar a dobradinha de Wellington com Janaina Riva e José Medeiros ao Senado, Dorner mandou um recado claro aos colegas de partido: a eleição para o Palácio Paiaguás exige grupo forte, musculatura no interior e articulação com Brasília. O gesto do gestor sinopense esvaziou a ameaça de entrega coletiva de cartas de desfiliação e deixou os opositores internos da coligação em uma posição cada vez mais desconfortável.
Na outra ponta dessa equação, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), já demonstra sinais de que precisará adaptar seu discurso para não ficar totalmente isolado na poeira da pré-campanha. Embora continue vociferando contra a presença do MDB e ignorando a figura de Wellington Fagundes, Abílio tratou de dar um passo atrás em relação às ameaças de ruptura dramática: bateu o pé para avisar que permanecerá no PL, afastando qualquer hipótese de desfiliação.
Analistas de bastidor apontam que o recuo tático de Abílio é o primeiro estágio de um ensaio para abrandar a resistência e preparar a militância para a inevitável convivência pragmática no pleito. Com Dorner puxando a fila da pacificação no interior e Valdemar Costa Neto mantendo a rédea curta sobre a fidelidade partidária, o prefeito da capital percebeu que esticar a corda pode significar o tiro no próprio pé. A tendência é que, à medida que as convenções selam os acordos, até mesmo os discursos mais inflamados passem pelo filtro da sobrevivência política, consolidando a vitória tática do projeto de Wellington Fagundes.
