A imagem de eficiência que o Governo do Estado tenta vender na propaganda oficial ruiu de forma vexatória em mais um capítulo de pura desarticulação e incompetência administrativa. Pressionado sobre a grave acusação de que a gestão perdeu a delegação do Governo Federal para intervir e resolver definitivamente a crise na curva do Portão do Inferno — gargalo histórico na rodovia MT-251 —, o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (SMMTR/SINFRA), Marcelo Padeiro, preferiu lavar as mãos de forma acovardada. Ao disparar que “não é secretário da Sema”, o gestor não apenas fugiu do debate, mas escancarou o nível de desgoverno, bate-cabeça e falta de diálogo interno que tomou conta do Palácio Paiaguás.

O empurra-empurra de responsabilidades e a esquiva do titular da Sinfra expõem a fotografia exata de uma administração estadual completamente perdida e sem rumo. O caso do Portão do Inferno virou o símbolo máximo da incapacidade de execução do governo: enquanto prazos são sucessivamente descumpridos, a população e os comerciantes de Chapada dos Guimarães continuam ilhados por interdições intermináveis, dependendo de soluções paliativas que custam milhões e se esfarelam à primeira chuva. A reação do secretário, ao tentar jogar a batata quente no colo da Secretaria de Meio Ambiente, revela um Executivo fragilizado, que bate cabeça na burocracia e falha miseravelmente em entregar ações básicas de engenharia.

Para piorar o quadro de desespero e maquiagem governamental, o Palácio Paiaguás insiste em uma tática perigosa: para tentar apagar a incômoda pecha de incompetência e abafar o fiasco das obras paralisadas ou mal executadas, o governo segue anunciando uma enxurrada de novos projetos megalomaníacos e lançamentos de obras ao redor do estado. A manobra tenta desesperadamente criar um cenário virtual de entregas, embora a realidade do chão de fábrica e das rodovias estaduais prove que a gestão não tem a menor condição técnica nem capacidade operacional de concluir o que já prometeu no passado.

A cena do secretário fugindo de questionamentos técnicos e esquivando-se da imprensa é o retrato fiel de um governo acuado, esgotado e sem autoridade para dar respostas ao contribuinte. Entre desculpas esfarrapadas, obras que se arrastam e o constante jogo de empurra entre as secretarias, o cidadão mato-grossense acompanha o triste espetáculo de uma gestão que perdeu a capacidade de gerir o estado e que tenta, sem qualquer sucesso, disfarçar o próprio colapso administrativo com novas e vazias promessas de papel.