A tentativa do governador Otaviano Pivetta de dourar a pílula e disfarçar o avanço da criminalidade em Mato Grosso bateu de frente com dados oficiais e investigações federais que escancaram uma realidade bem mais sombria. Logo após o gestor vir a público garantir punições severas, ofensivas estaduais e assegurar taxativamente que não existem territórios dominados por facções no estado, a narrativa caiu por terra. Além do desgaste permanente com obras públicas que se desfazem a olhos vistos por falhas de execução e falta de fiscalização, a gestão estadual agora enfrenta duras críticas por tentar “tapar o sol com a peneira” diante da escalada de grupos criminosos que agem com táticas de verdadeiro terrorismo.

O choque entre o discurso oficial e a vida real foi exposto em rede nacional. Relatório da própria Polícia Federal classificou a Terra Indígena Sararé como um território sob domínio ostensivo de facções fortemente armadas, que operam o garimpo ilegal e impõem suas próprias leis — cenário exibido recentemente pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Para piorar o quadro do governo, um raio-X elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou a presença e a atuação direta dessas organizações em ao menos 92 municípios mato-grossenses. Em polos cruciais do agronegócio como Sorriso e Sinop, a própria Polícia Civil já atestou a expansão e a estrutura hierarquizada do crime organizado dominando bairros inteiros.

A postura de Pivetta de negar o controle territorial das facções — que em diversas regiões do estado replicam a logística, o armamento e o poder de intimidação de células terroristas internacionais — provocou indignação entre especialistas em segurança e lideranças comunitárias. Críticos apontam que minimizar a força do crime organizado e a perda de soberania do Estado impede o combate efetivo do problema e deixa a população à mercê da violência e da extorsão diária.

Com a maquiagem das estatísticas e o estado de negação do Palácio Paiaguás expostos ao ridículo, a cobrança sobre o Governo do Estado atinge o pico de tensão. Enquanto o Executivo insiste em retórica firme diante das câmeras, a combinação de infraestrutura precária com obras esfarelando e a presença ostensiva de facções nas cidades e no campo evidencia que a estratégia de ignorar o caos viário e a insegurança pública deixou de convencer o cidadão mato-grossense.