Parece que o espírito olímpico de Rayssa Leal e companhia finalmente conseguiu furar a bolha do conservadorismo esportivo em solo rondonopolitano. Em uma decisão que reconhece que o esporte nasce onde o pé encontra a lixa, os Jogos Estudantis Municipais (JEM) de 2026 anunciaram a inclusão oficial do skate no calendário de competições. A modalidade, que por décadas foi vista por muitos como “vadiagem recreativa” ou barulho desnecessário nas calçadas do Centro, agora ganha o carimbo de seriedade da gestão municipal, transformando o pátio das escolas em um celeiro de manobras que, até ontem, eram motivo de bronca da diretoria.

A entrada do skate no JEM não é apenas um aceno à modernidade, mas um tapa de luva de pelica no preconceito que insistia em ver o skatista como um intruso no espaço público. Agora, com a chancela oficial, o esporte ganha a estrutura necessária para que o talento local saia das pistas improvisadas e ganhe o brilho das medalhas, incentivando uma disciplina que nasce da queda e da persistência de quem não tem medo de ralar o joelho pelo título. É a prova de que a cidade resolveu, enfim, acompanhar o ritmo de uma juventude que já domina o equilíbrio sobre o shape há muito tempo, enquanto os “esportes tradicionais” agora precisam dividir os holofotes com o barulho inconfundível dos trucks no asfalto.

Resta saber se, além da inclusão no papel, as pistas da nossa Rondonópolis estarão à altura do desafio técnico que os Jogos de 2026 prometem exigir. A iniciativa é um avanço necessário para uma cidade que respira movimento, tirando o skate do canto da parede e colocando-o no centro da arena competitiva. Por enquanto, o recado aos estudantes está dado: preparem os equipamentos de segurança e afinem as manobras, porque em 2026, quem manda no pátio não é quem chuta a bola mais forte, mas quem tem a coragem e o equilíbrio para voar sobre quatro rodinhas sob o olhar atento da justiça desportiva municipal.