Uma investigação da Polícia Civil trouxe à tona conversas alarmantes que escancaram a promiscuidade entre a política e o crime organizado na Baixada. Mensagens de texto interceptadas com autorização judicial revelam uma linha direta e uma explícita troca de favores entre o pré-candidato a vereador de Duque de Caxias pelo Partido Liberal (PL), Anderson da Silva de Santana, o “Anderson da Saúde”, e o traficante Jonatha Ferreira Marinho, conhecido como “Carioca”, uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na Favela do Lixão. O material flagra o momento em que o político articula o livre acesso a redutos eleitorais controlados pelo tráfico em troca de vantagens e facilidades logísticas para os criminosos.

Os diálogos obtidos pelos investigadores mostram que a parceria ia muito além da simples permissão para panfletagem nas comunidades. Anderson da Saúde utilizava sua influência e trânsito na área da saúde pública para tentar agilizar exames, consultas e atender demandas médicas que beneficiavam diretamente parentes e integrantes do bando comandado por Carioca. Em contrapartida, o chefe do tráfico garantia que os adversários políticos do pré-candidato fossem sumariamente barrados, ameaçados e impedidos de realizar qualquer tipo de campanha nas áreas dominadas pela facção. Essa dinâmica de curral eleitoral moderno evidencia como as organizações criminosas continuam ditando as regras do jogo democrático na periferia.

O vazamento do conteúdo das mensagens caiu como uma bomba na Executiva do PL fluminense, que agora sofre forte pressão pública para rifar o nome de Anderson da Saúde antes das convenções partidárias oficiais. A defesa do político alega que os contatos foram deturpados ou feitos sob o clima de coação comum a quem atua em comunidades vulneráveis, mas a Polícia Civil e o Ministério Público já trabalham no cruzamento de dados de atendimento público e de agenda para consolidar o inquérito por associação ao tráfico e abuso de poder político. O caso reforça o desafio hercúleo das forças de segurança para blindar as urnas contra a infiltração direta dos barões do tráfico de drogas na Baixada.