A blindagem política que sustentava o discurso de eficiência da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) começou a ruir, e a conta da pane geral nas rodovias caiu direto no colo do governador e pré-candidato a reeleição, Otaviano Pivetta. Nos últimos dias, o estado virou palco de um verdadeiro apagão de qualidade técnica na malha rodoviária. Ao mesmo tempo em que o secretário Marcelo de Oliveira, o “Marcelo Padeiro”, tenta apagar o incêndio da suspensão judicial de um contrato bilionário de duplicação na BR-163, o interior do estado sofre com o fenômeno do “asfalto sonrisal” na rodovia MT-170, antiga BR-174 no trecho entre Castanheira, Juruena e Colniza — que esfarela na primeira chuva — e com o abandono histórico que transformou o Trevão de Rondonópolis no maior gargalo e monumento à incompetência logística de Mato Grosso.

O travamento do lote da BR-163, sob a justificativa governamental de que o sobrepreço apontado por auditores é apenas um “entrave burocrático”, expôs as vísceras de um modelo de gestão centralizado e altamente questionável. Mas o buraco do governo Pivetta é muito mais embaixo. Em diversas regiões produtoras, rodovias estaduais recém-asfaltadas ou que passaram por manutenção caríssima estão literalmente desmanchando. Motoristas e produtores rurais denunciam que o asfalto está esfarelando como areia, abrindo crateras que destroem frotas e colocam vidas em risco, evidenciando uma total falta de fiscalização sobre as empreiteiras que faturam milhões dos cofres públicos.

O símbolo máximo dessa derrocada, no entanto, atende pelo nome de Trevão de Rondonópolis. Localizado na intersecção estratégica que conecta o coração do agronegócio nacional, o local virou terra de ninguém. As obras que ainda nem começaram, mantem o trecho em um cenário de caos diário, com congestionamentos quilométricos e prejuízos incalculáveis para as transportadoras. Enquanto Rondonópolis sedia o escoamento de riquezas do estado, a incompetência do governo estadual em entregar uma solução definitiva para o Trevão castiga o motorista local e humilha o potencial econômico da região Sudeste.

Com a crise da BR-163 e o escândalo do asfalto que esfarela ganhando as manchetes, o grupo político de Otaviano Pivetta vê o discurso de “gestor eficiente” derreter na mesma velocidade das estradas mato-grossenses. A cobrança sobre o governador e sua bancada na Assembleia Legislativa atingiu o ápice, com parlamentares da oposição exigindo auditorias severas nos contratos da Sinfra-MT.