O clima entre os gigantes da produção de grãos e o Ministério da Agricultura atingiu o ponto de ebulição. Em uma crítica cortante, o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, veio a público para manifestar o seu profundo descontentamento com a atuação do ministro Carlos Fávaro. A trama de insatisfação gira em torno da percepção de que, apesar de ser um mato-grossense no comando da pasta, Fávaro não teria entregue as soluções esperadas para os problemas críticos que atingem o setor, como a queda nos preços das commodities e as dificuldades logísticas que sufocam o produtor.

O recado de Lucas Costa Beber é direto: a gestão atual é vista como desconectada da realidade das fazendas. A Aprosoja afirma que o “serviço” de interlocução com o governo federal falhou e que o agro de Mato Grosso está operando no “vácuo” de políticas públicas eficientes. Para os líderes do setor, o ministro parece mais preocupado com a agenda política de Brasília do que com a defesa dos interesses de quem sustenta o PIB do estado. A acusação é de que as promessas de apoio e investimento não passaram de retórica, deixando o produtor à mercê das incertezas do mercado internacional e do clima.

Este racha público sinaliza que o tabuleiro político para os próximos anos será de confrontos intensos entre a base produtora e o Palácio do Planalto. A Aprosoja, sob o comando de Beber, deixa claro que não aceitará passivamente o que classifica como abandono. O embate desta quinta-feira (15) é apenas o capítulo mais recente de uma relação que nasceu estremecida e que agora parece ter chegado a um ponto de ruptura total, com o agronegócio mato-grossense exigindo um novo rumo e menos promessas vazias vindas da capital federal.