A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que investiga o colapso financeiro da Santa Casa de Misericórdia, encerrou oficialmente seus trabalhos nesta quarta-feira (17) com a aprovação do relatório final. O documento é um raio-x detalhado das vísceras administrativas da instituição, que atende Rondonópolis e outros 19 municípios da região.
Achados e Economia
O trabalho, presidido pelo vereador Ibrahim Zaher, não ficou apenas no papel. Segundo o parlamentar, a pressão da investigação já forçou a atual diretoria a adotar medidas que resultaram em uma economia anual de R$ 10 milhões.
- Fornecedores na Mira: A CEI identificou cobranças indevidas de prestadores de serviço. O relatório servirá de munição jurídica para que o hospital conteste essas dívidas na Justiça.
- Transparência Zero: A investigação apontou a necessidade urgente de modernização tecnológica, já que a falta de sistemas integrados facilitava o descontrole contábil.
A “Prescrição” da Câmara
Para que a Santa Casa não volte à UTI financeira, o relator Vinícius Amoroso e a comissão estabeleceram exigências rígidas de governança:
- Compliance: Criação de um comitê de ética e auditorias externas periódicas.
- Tecnologia: Implementação obrigatória de sistema ERP (gestão integrada) para compras e finanças.
- Transparência: Reconciliação bancária mensal e relatórios por centro de custo.
- Dívida Real: Consolidação de todo o passivo para um plano de pagamento viável.
O Milagre da Fiscalização
É fascinante notar como uma simples “visita” dos vereadores e o risco de um processo judicial operam milagres na contabilidade alheia. Bastou a CEI apertar o cerco para que R$ 10 milhões “aparecessem” em forma de economia. Pelo visto, o problema da Santa Casa não era apenas falta de verba federal ou estadual, mas sim uma gestão que mais parecia “casa de mãe joana”. Agora, com o relatório a caminho do Ministério Público, resta saber se os antigos gestores vão conseguir explicar para onde ia o dinheiro enquanto faltava o básico na ponta.
