Brasília, DF – O cenário político nacional ferve nesta terça-feira (04/11), com três grandes focos de tensão dominando a agenda: a iminente instalação da CPI do Crime Organizado no Senado, o desgaste do Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na cassação do Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). As três pautas estão diretamente interligadas pelos desdobramentos da megaoperação policial no Rio de Janeiro, a Operação Contenção.

O resultado da Operação Contenção, que resultou em mais de 120 mortes, acelerou a decisão de instalar a CPI do Crime Organizado no Senado. O colegiado, que inicia os trabalhos hoje, é o novo palco de embate entre o Governo de esquerda e a oposição. O Governo Lula quer a todo custo a Presidência e a Relatoria da CPI e com isso evitar que se torne um instrumento de desgaste da imagem do presidente Lula em busca da reeleição.

A crise foi agravada pela posição do Ministro Ricardo Lewandowski, criticado por ter negado, inicialmente, conhecimento prévio da operação, sendo desmascarado pelo Diretor-Geral da PF. Lewandowski tornou-se alvo de convocações na Câmara, enfrentando forte pressão para explicar as falhas de comunicação e a postura do Ministério diante da tragédia.

O terceiro ponto de tensão é o julgamento de Cláudio Castro, Governador do Rio de Janeiro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Castro enfrenta um processo de cassação por suposto abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. O julgamento, que se inicia hoje, pode afastar o governador do cargo, desestabilizando o principal estado da região Sudeste.

O governador já havia sido absolvido pelo TRE-RJ: Em maio de 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) julgou a ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) que pedia a cassação de Castro. A chapa foi absolvida por uma maioria apertada de 4 votos a 3.

Na decisão dos desembargadores do TRE-RJ, eles reconheceram a existência de graves irregularidades nas contratações temporárias em órgãos estaduais (Ceperj e Uerj), mas entenderam que não havia provas suficientes de que essas contratações tiveram o objetivo de, ou foram capazes de, desequilibrar a eleição e influenciar o resultado a favor da reeleição de Castro em 2022.

Agora o TSE irá julgar o recurso impetrado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação do candidato derrotado (Marcelo Freixo, do PT). É esse recurso que agora está sendo julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir desta terça-feira, 4 de novembro. O TSE é a última instância para a Justiça Eleitoral.

Portanto, a decisão que o TSE está tomando nesta data é a que definirá se ele mantém a absolvição do TRE-RJ ou se reforma a sentença e cassa o mandato do governador.