O que seria o inicio de uma rebelião em presídio de São Paulo mobilizou as forças de segurança, mas, felizmente para o sistema, o fato não se concretizou. O episódio ocorreu no Centro de Progressão Penitenciária Dr. Edgard Magalhães Noronha (Pemano), localizado em Tremembé, e mobilizou dezenas de agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), a força de elite da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). A ação do GIR ocorreu no último domingo (9), de forma estritamente preventiva, após informações de inteligência indicarem que detentos planejavam um motim na unidade.

A resposta das autoridades foi imediata e calculada para desarticular o movimento antes que ele se concretizasse. A operação, conduzida com precisão e rapidez, resultou na transferência de cerca de 60 presos de Tremembé para outras unidades prisionais de regime mais rígido. Esta é uma medida padrão da SAP para isolar as lideranças identificadas e desmantelar a organização da ameaça. A SAP manteve a situação sob controle e estabilizada, sem que houvesse reféns ou feridos graves na unidade. O sindicato dos funcionários do sistema prisional paulista (SIFUSPESP) tem alertado sobre o risco de caos no sistema, citando superlotação e déficit de agentes, o que reforça que ações preventivas como a de Tremembé, embora discretas, são cruciais para manter a ordem em um sistema prisional sempre à beira do colapso.

As autoridades de São Paulo analisa possível ligação entre motim de Tremembé e o Comando Vermelho pós-Operação Contenção Embora as lideranças da SAP neguem ligação direta, especialistas indicam que o tensionamento do sistema prisional é uma resposta comum ao vomento de facções em outros estados.

A ameaça de motim abortada no Centro de Progressão Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, despertou imediatamente a atenção das autoridades sobre uma possível ligação com os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro, especificamente com a Operação Contenção. No entanto, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo negou haver um vínculo direto e um “efeito dominó” formalmente comprovado entre os eventos. Apesar da negativa oficial, o tema é objeto de análise por parte da inteligência penitenciária.

Especialistas em segurança pública e sistema carcerário, por outro lado, apontam que o aumento súbito de tensão em São Paulo não pode ser totalmente desvinculado de eventos de grande repercussão em outros estados. O Comando Vermelho (CV), facção predominante no Rio de Janeiro e que foi alvo da Operação Contenção, possui forte presença e articulação em presídios de todo o país, incluindo São Paulo. A hipótese levantada é que o tensionamento extremo sofrido pelo CV no Rio – com a morte de dezenas de líderes e o bloqueio de rotas de tráfico – pode ter gerado ordens para que células da facção em outros estados executassem ações de “contra-ataque” ou “distração” para aliviar a pressão. O evento de Tremembé, que mobilizou a força de elite do GIR, mostra que as autoridades paulistas estão em alerta máximo para qualquer reação coordenada do crime organizado interestadual que tente desestabilizar os presídios paulistas em resposta à crise fluminense.