O presidente argentino Javier Milei consolidou seu poder político em uma “virada histórica” nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas no último domingo (26). Com sua coalizão La Libertad Avanza (LLA) conquistando 42% dos votos e vencendo em 17 das 24 províncias, Milei garantiu um Congresso mais alinhado, essencial para a aprovação de seu pacote de reformas radicais (trabalhistas, tributárias e previdenciárias).
O triunfo de Milei, que superou as pesquisas que apontavam sua derrota, não é visto como um fenômeno isolado. Ele se insere na onda global de ascensão da direita, marcada por um discurso anti-establishment e de mercados livres.
O Endosso de Trump e a Confiança do Mercado
A vitória argentina teve repercussão imediata nos Estados Unidos. Donald Trump, recém-empossado em seu segundo mandato, reforçou seu apoio ao “aliado libertário”, tuitando que “Milei é o cara que pode fazer a Argentina grande de novo”. A aliança foi materializada em um pacote financeiro de US$ 40 bilhões, incluindo um swap de US$ 20 bilhões com o Federal Reserve, sinalizando a confiança de Washington no projeto argentino.
O mercado financeiro celebrou o resultado com euforia:
- O índice Merval disparou 34% em um dia.
- Os bônus soberanos em dólar subiram 25%.
Analistas apontam que o resultado foi um voto pragmático dos eleitores, impulsionado pelo medo do retorno ao caos kirchnerista e pela promessa de estabilidade garantida pelo apoio de Trump.
Aliança Global da Direita
O avanço da direita argentina ecoa em outros continentes. Líderes como Giorgia Meloni na Itália, Viktor Orbán na Hungria e o crescimento de Marine Le Pen na França reforçam a tese de que a Argentina de Milei se tornou um laboratório político.
Nas ruas, jovens agitavam bandeiras com o leão de Milei e o “Don’t Tread on Me” da direita global. O próprio presidente, em seu discurso, celebrou: “Os argentinos escolheram a liberdade, não o populismo que nos afundou!” O triunfo dá a Milei o respaldo para a “cirurgia dolorosa” de reformas e consolida a Argentina no palco da nova onda conservadora mundial.
