Um flagrante aparentemente isolado foi o ponto de partida para derrubar uma das maiores organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. Em abril de 2024, a Polícia Rodoviária Federal prendeu um motorista de 31 anos em Cáceres, na fronteira com a Bolívia, transportando 153 quilos de cocaína escondidos em uma van que simulava ser usada para passageiros.
O episódio desencadeou uma investigação de mais de um ano, que nesta terça-feira (2) resultou na Operação Conductor, deflagrada pela Polícia Civil.
A ação cumpriu 95 ordens judiciais contra o grupo, incluindo 16 prisões preventivas, 35 mandados de busca e apreensão, 39 bloqueios de valores e cinco sequestros de veículos. As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara Criminal de Cáceres e executadas em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, além de cidades em Pernambuco e Maranhão.
Esquema milionário
De acordo com a Delegacia de Repressão a Crimes de Fronteira (Defron) e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o grupo movimentou ao menos R$ 100 milhões com o transporte, armazenamento e venda de drogas. O líder, morador de Várzea Grande, coordenava toda a logística: da fronteira à estocagem em casas de médio padrão alugadas na região metropolitana de Cuiabá.
Segundo a delegada Bruna Laet, responsável pela investigação, a quadrilha recebia um carregamento por semana durante cerca de quatro meses, somando mais de duas toneladas de entorpecentes, além de armas e munições. O valor das cargas apreendidas nesse período é estimado em R$ 45 milhões, quantia que foi bloqueada judicialmente.
Logística em supermercados e terminais
As investigações apontaram que a facção não se limitava a grandes cargas na fronteira. O grupo utilizava uma rede de apoio que incluía imóveis para esconderijo e entregava drogas e armas em locais de grande circulação, como supermercados e terminais de ônibus. Parte do material era destinado ao consumo local, enquanto outra parte seguia para outros estados.
Cooperação e nome da operação
O trabalho da Polícia Civil contou com a cooperação da Receita Federal e da Politec, além do apoio do Ministério Público e do Poder Judiciário. O nome da operação, Conductor, faz referência ao motorista preso na van em Cáceres, cuja captura foi determinante para expor todo o esquema.
Com a ofensiva, a polícia espera enfraquecer a atuação do grupo que vinha expandindo sua rede criminosa a partir de Mato Grosso, usando a região de fronteira como porta de entrada da droga.
