O policial militar Edivaldo Júnior Rodrigues Marques de Souza foi oficialmente demitido da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PMMT). A decisão, publicada no Diário Oficial desta terça-feira (16), ocorre quase 3 anos após o ex-militar ter sido condenado a cumprir pena de 18 anos e oito meses de prisão pelo assassinato da estudante Adriele da Silva Munis, ocorrido em dezembro de 2016, em Cuiabá.

Segundo a portaria nº 692988, assinada pelo comandante-geral da PMMT, coronel Cláudio Fernando Carneiro Tinoco, a demissão cumpre determinação judicial já transitada em julgado.

O documento também determina a devolução do fardamento e de materiais da corporação em posse do ex-militar, além da exclusão de seu nome da folha de pagamento.

No início de junho de 2023, a 1ª Vara Criminal de Cuiabá condenou Edivaldo Júnior a 18 anos e oito meses de prisão por homicídio qualificado consumado, homicídio qualificado tentado e dois crimes de perigo de vida. A sentença também determinou a perda da função pública.

O ex-policial, que integrava o Batalhão Rotam, chegou a ser preso em 2021, quatro anos após o crime, mas respondeu parte do processo em liberdade. Ele ainda pode recorrer da condenação. A defesa não foi localizada pela reportagem.

Adriele, de 25 anos, foi morta com um tiro nas costas durante uma perseguição após uma discussão no trânsito, nas proximidades da Praça Ipiranga, em Cuiabá. Ela estava em um carro com o namorado e amigos quando o veículo foi atingido por disparos vindos do carro conduzido pelo policial.

A bala atravessou o pulmão e o coração da jovem, que chegou a ser socorrida ao Pronto-Socorro de Cuiabá, mas não resistiu.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os disparos foram feitos em via pública, colocando em risco a vida de outras pessoas. Câmeras de segurança e depoimentos confirmaram a autoria do crime.

Inicialmente, Edivaldo negou envolvimento no caso, mas, diante das provas apresentadas, acabou confessando os disparos. Ele alegou ter agido em legítima defesa, afirmando acreditar estar sofrendo uma tentativa de assalto versão descartada pelas investigações.

Testemunhas ouvidas confirmaram que não houve qualquer ameaça por parte das vítimas. A arma apreendida também foi compatível com o projétil que matou Adriele.

A demissão de Edivaldo Júnior representa o desfecho administrativo de um caso que gerou forte repercussão em Mato Grosso. O crime, ocorrido há quase nove anos, mobilizou familiares, amigos da vítima e entidades que cobravam punição exemplar.

Com a publicação no Diário Oficial, a Polícia Militar de Mato Grosso encerra formalmente o vínculo com o ex-cabo, agora preso e afastado definitivamente das funções públicas.