Os dados divulgados nesta segunda-feira (15) pelo MapBiomas revelam que a Amazônia perdeu quase 50 milhões de hectares de florestas nas últimas quatro décadas. O levantamento mostra que Mato Grosso está entre os estados que mais pressionam o bioma, com apenas 62% de vegetação nativa preservada. A proporção é a segunda menor da Amazônia Legal, atrás apenas de Rondônia, onde restam 60% de cobertura.
Pecuária como principal vetor
Entre 1985 e 2024, a área de pastagens cresceu 355% na Amazônia, saltando de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares. Esse avanço de 43,8 milhões de hectares tornou a pecuária o principal vetor de desmatamento. Em Mato Grosso, maior rebanho bovino do país, o impacto é direto: extensas áreas de floresta foram convertidas em pasto, consolidando o estado como protagonista na expansão da fronteira agropecuária.
A análise mostra ainda que 83% de toda a área hoje ocupada por atividades humanas no bioma foi aberta nos últimos 40 anos. Mato Grosso aparece nesse cenário como um dos motores dessa transformação, principalmente pela abertura de novas áreas para pastagens em municípios localizados no chamado arco do desmatamento.
Mineração cresce em ritmo acelerado
O estudo também evidencia o crescimento da mineração na Amazônia, que passou de 26 mil hectares em 1985 para 444 mil hectares em 2024, um aumento de 17 vezes em quatro décadas. A atividade tem se expandido em estados produtores, como Mato Grosso, onde o garimpo irregular pressiona áreas protegidas e terras indígenas. A tendência é que essa pressão aumente, reforçando o alerta sobre os impactos cumulativos no bioma.
Outros vetores de mudança
Embora a agricultura também tenha avançado — de 180 mil hectares em 1985 para 7,9 milhões em 2024 —, a conversão direta de floresta para lavouras de soja caiu após a moratória de 2008. Hoje, a soja se expande principalmente sobre áreas já desmatadas, sobretudo pastagens. Em contrapartida, atividades como a silvicultura, que cresceu mais de 110 vezes no período, e a mineração vêm ganhando espaço no mosaico de pressões sobre a Amazônia.
Com 62% de cobertura nativa preservada, Mato Grosso aparece em um grupo de estados com forte pressão sobre o bioma, ao lado de Rondônia, Tocantins (65%) e Maranhão (67%). Os números indicam que o avanço da pecuária e da mineração coloca o estado em posição de destaque nas transformações recentes da Amazônia, que já perdeu 13% de sua vegetação nativa nos últimos 40 anos.
