O uso de drones agrícolas está se consolidando como uma das principais inovações do agronegócio em Mato Grosso. De acordo com o relatório final do AgriHub Conecta 2025, iniciativa do Sistema Famato com apoio do Senar-MT, a pulverização aérea com equipamentos autônomos vem reduzindo custos operacionais, otimizando o uso de insumos e aumentando a eficiência dentro das fazendas.

Os drones agrícolas, que antes eram vistos como ferramentas experimentais, hoje já fazem parte da rotina de propriedades voltadas à produção de grãos e pecuária. Equipamentos mais robustos, com capacidade de transporte de até 40 litros e autonomia ampliada, permitem pulverizar áreas extensas em menos tempo, sem amassar plantações e com maior precisão na aplicação de defensivos e fertilizantes.

O relatório destaca que o uso de drones possibilita economia significativa de água e insumos, além de reduzir o risco de deriva na pulverização, já que a tecnologia aplica o produto de forma localizada e controlada. Outro ponto apontado é a rastreabilidade, que permite ao produtor monitorar cada operação em tempo real, gerando dados para análises futuras e planejamento mais assertivo.

O ciclo de 2025 do AgriHub Conecta contou com painéis regionais que identificaram os principais desafios enfrentados pelos produtores, entre eles a falta de mão de obra qualificada e a necessidade de automação nos processos de classificação e pulverização. Startups selecionadas, como a Eficaz Tecnologia no Campo, mostraram soluções baseadas em drones capazes de levar inovação prática e de rápida adoção ao setor.

A pecuária também vem passando por uma revolução silenciosa com o avanço da automação. Uma das soluções em destaque no relatório é a pesagem e contagem automatizada de bovinos com câmeras de inteligência artificial. A tecnologia, desenvolvida por startups como a Gado Pesado, permite monitorar em tempo real o desempenho animal, reduzindo custos operacionais e eliminando erros humanos no processo de aferição de peso. O ganho é duplo: mais precisão no manejo e maior eficiência na tomada de decisões sobre nutrição e comercialização.

Outro exemplo citado é o uso de sensores e dispositivos conectados ao rebanho, que possibilitam identificar padrões de saúde e comportamento. O monitoramento contínuo, integrado a plataformas digitais, garante que o produtor antecipe problemas e ajuste o manejo de acordo com os dados coletados. Essa leitura detalhada do rebanho fortalece a rastreabilidade e contribui para abrir portas em mercados que exigem protocolos de sanidade e qualidade cada vez mais rigorosos.

Entre as inovações mais curiosas e promissoras está a chamada “raquete digital”, desenvolvida pela startup Vaca Roxa. O dispositivo utiliza sensores IoT para detectar de forma precoce a mastite bovina, uma das principais doenças que afetam a produção de leite. A ferramenta gera alertas antes mesmo da ordenha, garantindo maior segurança alimentar e preservando a qualidade do produto entregue ao laticínio. Para o pecuarista, o resultado é redução de perdas, menos descarte de leite contaminado e melhoria nos índices de sanidade do rebanho.

Essas soluções revelam uma pecuária cada vez mais tecnológica, que alia produtividade, sustentabilidade e bem-estar animal. A adoção de câmeras inteligentes, dispositivos conectados e sensores de precisão ainda é recente, mas o relatório aponta que há forte interesse dos produtores em testar e validar essas ferramentas. A expectativa é de que, nos próximos ciclos, a automação na pecuária mato-grossense se expanda rapidamente, acompanhando a trajetória já vista nas lavouras com os drones.

Segundo o relatório, a automação aérea representa não apenas ganhos de eficiência, mas também maior sustentabilidade, já que evita desperdícios e diminui impactos ambientais. A expectativa é de que, nos próximos ciclos, o uso de drones seja expandido para ainda mais municípios e atividades, consolidando Mato Grosso como referência nacional em inovação agrícola.