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O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (25) a Operação Spare, que visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos setores de combustíveis e jogos de azar. A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que em julho já havia revelado o sofisticado método da facção para movimentar dinheiro no sistema financeiro.

A Operação Spare mirou em 25 endereços em São Paulo e em outras cidades paulistas, a procura do empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, apontado como o chefe do esquema de venda de combustíveis adulterados. Ele é suspeito de lavar dinheiro do crime organizado usando postos de gasolina, motéis e franquias como fachada.

As investigações da Receita Federal apontaram que a rede, que inclui 267 postos de combustíveis ativos, movimentou mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheu apenas 0,1% desse valor em tributos federais, uma fração insignificante em comparação à média do setor. Além disso, a operação identificou 140 postos de fachada que movimentaram mais de R$ 2 bilhões sem realizar uma única operação real.

A nova ação reforça as descobertas da Operação Carbono Oculto, que em julho abalou o mercado financeiro e logístico. A megaoperação, que teve desdobramentos em dez estados, incluindo Mato Grosso, revelou uma atuação multifacetada do PCC. Na ocasião, um dos alvos da operação, que se escondia em Rondonópolis, foi procurado pela Polícia Federal, mas a investigação confirmou que nenhum posto de combustível de Rondonópolis ou Mato Grosso estava envolvido nas atividades ilícitas de adulteração ou lavagem de dinheiro.

A rede criminosa, segundo as autoridades, controlava 40 fundos de investimento com patrimônio de mais de R$ 30 bilhões, financiava usinas e transportadoras, e importava irregularmente produtos para adulterar combustíveis. Além disso, a investigação apontou que a organização usava fintechs e maquininhas de cartão para movimentar R$ 46 bilhões sem rastreamento, uma verdadeira lavanderia de dinheiro.

O uso de empresas de fachada, laranjas e contadores com procuração para centenas de empresas mostra a complexidade do esquema. No entanto, as ações da Polícia Federal e da Receita Federal demonstram o esforço do governo em desarticular a estrutura financeira do PCC, cortando a principal fonte de receita da facção e reforçando a luta contra o crime organizado em nível nacional.