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Você tira o macarrão da geladeira e, ao lavar o pote, percebe que ele ficou alaranjado para sempre. Dias depois, vai guardar uma sobremesa e… lá está o cheiro de alho.

Mas afinal, por que potes plásticos mancham e absorvem odores? E mais importante: tem como evitar?

A maioria dos potes são fabricados a partir de polipropileno (PP) e polietileno (PE). As moléculas desses plásticos são apolares e, por isso, têm grande afinidade com outras substâncias apolares, como óleos e gorduras.

É o que explica Paulo Henrique Kiyataka, engenheiro de alimentos do Cetea-Ital (Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos). Segundo Kiyataka, essa afinidade “facilita a penetração e retenção de compostos aromáticos”.

Assim, o plástico vai manchar mais fácil quando colocado em contato com alimentos gordurosos ou com corantes naturais lipofílicos, ou seja, que também têm afinidade com gorduras. São encontrados em derivados de tomates, no açafrão, na beterraba, no colorau, entre outros.

E isso também vale para aquele cheiro de comida que parece impregnar certos potes.

De acordo com o engenheiro, os odores mais suscetíveis à absorção também são aqueles que interagem mais com gorduras, como óleos essenciais (presentes em frutas cítricas), substâncias sulfuradas (alho, cebola e feijão), aldeídos (carnes, óleos e baunilha) e substâncias de decomposição dos alimentos (pescados).

“É importante destacar que a tendência de certos polímeros absorverem mais coloração ou odores não está associada a riscos que comprometam a segurança”, acrescenta Kiyataka. “Todos os recipientes plásticos que cumprem resoluções da Anvisa são considerados seguros para o uso aos quais foram aprovados”, completa.

Esquentar o pote dentro do micro-ondas – e até colocar comida quente no recipiente – é um hábito que potencializa a adesão de manchas e odores no plástico.

Segundo Raquel Souza, pesquisadora tecnológica do Cetea/Ital, o aumento da temperatura favorece a interação entre as moléculas dos alimentos e as do pote.

“Esse efeito térmico facilita a migração e absorção de pigmentos e compostos aromáticos, aumentando a retenção de corantes e odores no material”, afirma Souza.

“Devemos evitar o aquecimento de alimentos ricos em gordura e açúcar, como chocolate e manteiga, porque absorvem rapidamente muita energia térmica, fazendo com que a temperatura ultrapasse a suportada pelo plástico”, completa a Sanremo.

Se precisar esquentar um alimento dentro de um pote no micro-ondas, prefira usar recipientes de vidro.

Embora todos os plásticos sejam mais propensos a manchar do que, por exemplo, o vidro, alguns modelos podem ser mais resistentes.

Kiyataka sugere optar por recipientes fabricados com poliéster (PET), que apresentam menor tendência à coloração e absorção de odores em comparação com polietileno e polipropileno. Verifique a composição do pote na embalagem, na etiqueta ou, em compras on-line, na descrição do site.

A organizadora profissional Ana Ziccardi também orienta o consumidor a buscar potes sem bisfenol A (BPA).

“Se certifique que os potes são feitos de material sem bisfenol A”, diz. Ela ainda alerta sobre os símbolos no fundo do pote: “se este número for 3, 6 ou 7, não compre, pode conter BPA”.

Por fim, outra dica é buscar potes com interior liso, sem curvas ou ranhuras, o que facilita a limpeza de resíduos.

Entre os principais causadores de manchas e odores, Ana Ziccardi destaca alimentos gordurosos e oleosos ou com pigmentação forte.

“A gordura presente nos alimentos adere com facilidade ao plástico poroso e, se esses alimentos tiverem pigmentos escuros ou amarelados, mancham os potes facilmente”, afirma Ziccardi.

A organizadora também elenca os principais vilões dos potes:

  • Molho de tomate
  • Beterraba
  • Curry
  • Açafrão
  • Cúrcuma
  • Cenoura
  • Abóbora
  • Amoras e morangos
  • Alho
  • Cebola
  • Queijo
  • Peixes
  • Brócolis
  • Couve-flor
  • Vegetais verde-escuros

Sim, dá! Os especialistas têm uma série de dicas práticas:

  • Fazer a primeira lavagem dos potes após o uso sempre em água fria, para tirar o excesso de alimento. Depois, utilizar água morna e detergente neutro.
  • Evitar o uso de produtos de limpeza abrasivos ou solventes fortes, de modo a evitar ranhuras na superfície do material.
  • Guardar os potes com as tampas abertas para permitir circulação de ar, prevenindo odores.
  • Trocar periodicamente os potes. Ao passar as mãos dentro dos potes e ter a sensação de “ranhuras”, já está na hora de trocar.
  • Separar potes específicos para alimentos como alho e cebola, que naturalmente possuem forte odor.

Ziccardi também sugere um truque para potes com muita gordura: “colocar uma folha de toalha de papel absorvente, algumas gotas de detergente e água fria. Tampar e sacudir bem o pote. Esse movimento junto ao papel fará com que a gordura se solte das paredes do pote e migre para a folha, sem abrasividade”.

Vale lembrar que essa dica serve apenas para potes que acabaram de ser usados, e não para aquelas manchas que já estão lá há meses.

Se o estrago já foi feito, pode não ser possível recuperar aquele pote, mas dá para tentar amenizar a situação.

Ana Ziccardi recomenda lavar com detergente e esponja não abrasiva, deixar de molho com bicarbonato e água por meia hora, lavar novamente, secar bem e guardar aberto.

E um aviso importante: “colocar limão ou vinagre, que são ácidos, causará mais danos à estrutura dos potes, não recomendo”, alerta a organizadora.