Uma mega operação que uniu a Polícia Federal e a Receita Federal, que investigava adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro com fundos de investimentos, aportou em Rondonópolis a procura de um dos envolvidos.

Segundo as primeiras informações liberadas, o grupo investigado teria movimentado entre os anos de 202 e 2024 mais de R$ 52 bilhões. Apesar da ação ter desdobramentos em Rondonópolis, com a procura de um dos envolvidos, nenhum posto ou rede de postos de Rondonópolis ou Mato Grosso, está envolvida na adulteração de combustíveis ou lavagem de dinheiro investigada na Operação Carbono Oculto.

A Carbono Oculto, a operação mobilizou 1.400 agentes públicos em dez estados para desarticular um sofisticado esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação tributária comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

A força-tarefa é formada por Receita Federal, Ministério Público (federal e estaduais), Polícia Federal, polícias civis e militares, Agência Nacional do Petróleo (ANP), secretarias de fazenda e procuradorias estaduais.

O PCC teria criado uma estrutura empresarial e financeira paralela, infiltrando-se em toda a cadeia produtiva de combustíveis e no mercado financeiro formal, principalmente via fintechs e fundos de investimento.

“Há muito tempo, nós estamos acompanhando um fenômeno que é a migração da criminalidade organizada, da ilegalidade para a legalidade”, afirmou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em entrevista coletiva na manhã desta quinta.

• Controle de ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões;

• Financiamento de quatro usinas produtoras de álcool, um terminal portuário e 1.600 caminhões de transporte de combustíveis;

• Aquisição de mais de 100 imóveis, incluindo seis fazendas no interior de São Paulo (avaliadas em R$ 31 milhões) e uma residência em Trancoso (BA) comprada por R$ 13 milhões;

• Importação irregular de metanol, nafta e diesel, usados na adulteração de combustíveis e para fraudes fiscais de R$ 7,6 bilhões;

• Uso de fintechs e maquininhas para movimentar valores sem rastreamento, inclusive em postos de fachada e padarias.

Finanças do crime: fundos em cascata e fintechs com R$ 46 bi

A Receita Federal identificou uma rede de fundos multimercado e imobiliários fechaos, com estrutura em cascata, com apenas um cotista, que é outro fundo, dificultando a identificação dos beneficiários finais e a origem dos recursos.

Esses fundos, controlados por operadores infiltrados na Avenida Faria Lima, foram utilizados para:

• Comprar ativos físicos (imóveis, frotas, refinarias);

• Movimentar recursos ilícitos no sistema financeiro tradicional;

• Blindar patrimônio obtido com atividades criminosas, inclusive tráfico de drogas.

A principal instituição de pagamento investigada, que funcionava como um banco paralelo, teria movimentado R$ 46 bilhões em valores não rastreáveis nos últimos anos. Essas empresas também financiaram importadoras, que compravam combustíveis no exterior para uso fraudulento no Brasil.

A Justiça ordenou o sequestro de todos os recursos dos fundos identificados como tendo envolvimento no crime.

Segundo a Receita, mais de 1.000 postos de combustíveis foram usados para lavar dinheiro, com movimentações de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas com recolhimento de tributos considerado insignificante.

Cerca de 140 desses postos não registraram nenhuma operação real nesse período, mas receberam mais de R$ 2 bilhões em notas fiscais, possivelmente em aquisições simuladas para encobrir repasses a distribuidoras controladas pela organização.

As investigações apontam para cinco núcleos organizacionais centrais. Entre os principais nomes estão os empresários Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Loco) e Mohamad Hussein Mourad, ligados às empresas Aster e Copape, e ao Grupo Manguinhos (ex-Refit), do empresário Ricardo Magro, ex-advogado do ex-deputado Eduardo Cunha.

Mesmo após a cassação de suas licenças pela ANP, essas empresas continuaram operando por meio de novas distribuidoras, empresas interpostas e parcerias com usinas, muitas vezes em nome de laranjas ou operadores condenados por tráfico internacional.