Fonte: Reprodução

A mãe de Pedro Camilo Garcia, o fisiculturista que espancou a namorada médica Samira Khouri na madrugada do aniversário dela, ligou para a polícia dizendo que estava preocupada com a nora logo após ser informada de que o casal teve uma “briga feia”. A informação consta em um registro policial sobre a ocorrência, obtido nesta terça-feira (26).

As agressões ocorreram na madrugada de 14 de julho, em um apartamento alugado pelo casal em Moema, na capital paulista. A vítima foi socorrida por policiais militares e internada na cidade até o dia 16, sendo posteriormente transferida para Santos, onde mora. Ela recebeu alta em 27 de julho.

Durante o ataque, Pedro Camilo fraturou um osso da mão. Ele fugiu para Santos, mas acabou localizado e preso pela Polícia Militar. Em audiência de custódia, ele teve a prisão em flagrante convertida para preventiva.

Conforme registrado no histórico da polícia, a mãe de Pedro, que não terá o nome divulgado, acionou a corporação no dia do crime. Ela relatou aos agentes que recebeu uma ligação de um amigo do filho informando que o jovem havia ido até a casa dele, em Santos, com a mão machucada, dizendo ter tido “uma briga feia” com Samira em São Paulo.

A mãe acrescentou que não conseguia fazer contato com o filho nem com a nora e, por isso, pediu para que os policiais averiguassem o endereço onde o casal estava na capital paulista.

Ainda de acordo com o registro policial, a mulher também pediu para que os agentes a avisassem caso encontrassem Samira, já que a família estava preocupada com o estado dela.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Pedro por tentativa de feminicídio, com emprego de meio cruel e por motivo fútil. A defesa de Pedro pediu habeas corpus, que foi negado pela Justiça. Ele segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente, no litoral de São Paulo.

A médica disse que o então namorado chegou nervoso no apartamento após ter sido expulso de uma balada LGBTQIA+. Ele teria arrumado uma confusão no evento porque sentiu ciúmes de um homem que, segundo Samira, era homossexual.

Já dentro do apartamento, segundo o relato, Pedro deu o primeiro soco e a vítima caiu no chão, onde continuou a ser espancada após perder os sentidos. Ela alega que, em determinado momento, retomou a consciência e percebeu que ainda estava sendo agredida.

A médica decidiu fingir estar desmaiada por medo de ser morta por Pedro. Samira pensou que se o fisiculturista a estava agredindo daquela forma achando que ela estava desacordada, poderia fazer pior ao perceber que estava consciente.

As agressões duraram aproximadamente seis minutos e a vítima lembra de Pedro ter dado mais de dez socos após a médica acordar. Em seguida, ele fugiu com o celular e o carro de Samira, que disse acreditar que o fisiculturista provavelmente não gostaria que ela fosse socorrida.

A médica de 27 anos ainda sofre com sequelas físicas e deverá passar por novas cirurgias reparadoras. De acordo com a advogada dela, Gabriela Manssur, Samira começou a retomar a memória sobre as agressões e se movimentar com mais segurança.

A vítima, que já foi submetida a diversas cirurgias no nariz, olhos, arcada dentária e seios da face, está sob os cuidados da família em casa.

De acordo com Gabriela, a médica deverá passar por outras intervenções cirúrgicas futuramente. “Ainda apresenta intenso abalo emocional, intensas sequelas físicas e, obviamente, passará ainda por algumas outras cirurgias reparadoras que serão avaliadas no decorrer do seu desenvolvimento”.