O candidato ao Senado e ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), negou enfaticamente ter descumprido medidas cautelares ao ser registrado no mesmo ambiente que o deputado e ex-secretário da Casa Civil, Fábio Garcia (União). A polêmica ganhou contornos jurídicos e eleitorais após o ex-governador e adversário direto na disputa, Pedro Taques (PSB), acionar as autoridades e solicitar a prisão de Mendes sob a alegação de violação da ordem judicial que proíbe o contato entre os alvos investigados na Operação Heritage.
Deflagrada pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal, a Operação Heritage investiga um esquema bilionário de supostos desvios de recursos públicos na gestão estadual, estimado em cerca de R$ 308 milhões, relacionado a um polêmico acordo administrativo e fiscal firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma operadora de telefonia. O caso resultou em mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens na ordem de R$ 316 milhões e na imposição de restrições severas aos principais investigados, incluindo a proibição expressa de manterem comunicação ou combinarem versões sobre o processo.
Ao se manifestar sobre as filmagens gravadas durante um ato político em Sinop, Mauro Mendes classificou o episódio como “muita fofoca” e sustentou que a aproximação se deu de forma estritamente fortuita. De acordo com o ex-governador, a cena ocorreu diante de um público de mais de mil pessoas em frente ao palco, sem que houvesse qualquer diálogo entre as partes, tendo ambos se afastado imediatamente para lados opostos após constatarem a presença um do outro no recinto.
Mendes subiu o tom contra Pedro Taques, a quem chamou de “o mais mentiroso da história”, acusando o adversário de atuar para tumultuar o processo eleitoral com factoides e manobras processuais em vez de debater propostas com a população. Questionado sobre o motivo de não ingressar pessoalmente com ações judiciais contra os ataques do rival, o candidato afirmou que sua conduta é pautada pelo planejamento e pela razão, assegurando que responderá no tempo e na hora adequados enquanto a Polícia Federal avalia os registros do evento.
