Pressionado pelo crescimento dos adversários e amargando desvantagem nos recentes levantamentos de intenção de voto para o Governo de Mato Grosso, o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), decidiu fazer um aceno tardio ao funcionalismo público estadual. Em declarações recentes de campanha, o gestor prometeu abrir canais de diálogo com as categorias e garantir a concessão da Revisão Geral Anual (RGA) ao menos pelo índice oficial da inflação nos próximos anos, em uma clara tentativa de estancar a sangria de votos entre os servidores.
O recuo retórico e a promessa de reajuste surgem em contraste direto com a postura adotada pelo Palácio Paiaguás ao longo dos últimos anos. Como vice-governador e agora no comando do Executivo, Pivetta foi um dos principais artífices da política de arrocho salarial que congelou perdas inflacionárias históricas e impôs derrotas sucessivas aos trabalhadores da educação, saúde, segurança pública e demais áreas da administração direta, gerando greves, protestos e um desgaste acumulado que nunca foi superado.
A tentativa de aproximação na reta decisiva da campanha foi recebida com ceticismo e desconfiança pelas lideranças sindicais e pelos próprios servidores públicos. Representantes da categoria apontam que o discurso de diálogo e de valorização salarial soa como manobra estritamente eleitoreira de um candidato que se vê ameaçado nas urnas, lembrando que a atual gestão sempre tratou as reivindicações do funcionalismo com intransigência e recusa sistemática em negociar o passivo do RGA.
Enquanto Wellington Fagundes (PL) avança nas pesquisas de opinião e consolida apoios na esteira do descontentamento geral com o governo estadual, Pivetta tenta correr contra o tempo para amenizar a alta taxa de rejeição que carrega junto ao funcionalismo. Com a aproximação do dia da votação, a ofensiva sobre os servidores expõe a fragilidade da base governista e o desespero de uma campanha que precisa reconstruir pontes dinamitadas durante anos de descaso com a máquina pública.
