A soberba que tomava conta dos discursos do Palácio Paiaguás deu lugar a uma postura visivelmente mais humilde e preocupada. O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pré-candidato ao Governo do Estado, foi forçado a baixar a crista e admitir publicamente que a disputa deste ano não será o passeio nas urnas que seus correligionários alardeavam. Em declarações recentes, o aliado do governador Mauro Mendes abandonou o tom de “já ganhou” e reconheceu com todas as letras a possibilidade real de a eleição ser decidida apenas em um segundo turno cascudo, quebrando a narrativa de hegemonia absoluta que o grupo governista tentava impor no cenário estadual.

O choque de realidade ocorre em um momento crítico, onde o desarranjo na infraestrutura do estado, as denúncias de irregularidades em obras milionárias e a fratura exposta na base aliada começam a cobrar um preço alto. Sentindo a pressão do crescimento de adversários de peso e a perda de tração de seu nome no interior, Pivetta tentou equilibrar o discurso ao afirmar que vai se esforçar para ganhar a disputa “o quanto antes”. No entanto, a simples admissão de que o cenário pode se estender até a segunda etapa das urnas escancara o tamanho do sobressalto que tomou conta do seu comitê central de campanha, que já não consegue esconder o nervosismo diante dos números que chegam das pesquisas internas.

Nos bastidores da Assembleia Legislativa e em polos eleitorais estratégicos, como Rondonópolis e a Baixada Cuiabana, o recuo de Pivetta foi interpretado como o primeiro sinal claro de fraqueza da máquina estadual. A oposição e os grupos conservadores que orbitam ao redor de candidaturas alternativas leram a declaração como uma confissão de vulnerabilidade. Interlocutores apontam que o teto do candidato governista se mostrou muito mais baixo do que o esperado e que a incapacidade de unificar legendas tradicionais — como o União Brasil e o PL — transformou o favoritismo do Paiaguás em uma verdadeira caminhada de obstáculos sobre cacos de vidro.

Com o afunilamento do calendário eleitoral e as convenções partidárias batendo à porta, o esforço prometido por Pivetta para tentar encerrar a fatura no primeiro turno soa mais como um ato de desespero do que como uma estratégia calculada. A admissão de que a fatura pode não ser liquidada de primeira expõe que o eleitor mato-grossense está longe de assinar um cheque em branco para a atual gestão. Resta saber se o vice-governador terá musculatura e fôlego político para estancar a sangria de votos até o dia da votação ou se o fantasma do segundo turno acabará se confirmando como o pesadelo definitivo do seu grupo político.