A organização espacial do maior polo socioeconômico da região sul de Mato Grosso entrou oficialmente em fase de recalibragem técnica. A Prefeitura de Rondonópolis deu o pontapé inicial na proposta de revisão do Plano Diretor Municipal, convocando consultores e técnicos para desenhar as diretrizes que vão ditar as regras do crescimento urbano e rural nos próximos anos. O encontro de trabalho escancarou a pressa do Palácio Cidadania em produzir uma minuta bem ajustada para submeter à aprovação da Câmara Municipal no menor prazo possível, encerrando anos de gargalos regulatórios que travavam novos investimentos e geravam distorções na ocupação do solo.
A condução do processo está sob o guarda-chuva técnico da Houer Consultoria, contratada para apresentar as etapas operacionais e coordenar os diagnósticos que vão embasar o novo texto. Segundo a secretária de Habitação e Urbanismo, Yasmin Waki, a pauta da atualização do Plano Diretor foi alçada ao topo das prioridades da gestão, uma vez que a legislação atual já não comporta o ritmo acelerado de expansão industrial, a chegada de grandes empreendimentos imobiliários e a demanda reprimida por mobilidade e infraestrutura de saneamento nos bairros periféricos.
Nos bastidores políticos e no setor imobiliário da cidade, a movimentação da prefeitura é acompanhada com lupa por empresários, corretores e movimentos de moradia popular. Interlocutores da construção civil apontam que a redefinição do perímetro urbano e das zonas de adensamento é vital para coibir a especulação de terrenos vazios e garantir regras jurídicas claras para quem deseja investir na cidade. Por outro lado, vereadores e lideranças comunitárias cobram que o afã da gestão municipal em aprovar a matéria em tempo recorde não atropele as audiências públicas obrigatórias pelo Estatuto da Cidade, sob o risco de transformar o novo código em um instrumento engessado e impositivo.
Com a equipe técnica já trabalhando nas primeiras explanações institucionais, o desfecho da minuta promete ser o principal divisor de águas da política urbana de Rondonópolis até o fechamento do ano. A expectativa no Paço Municipal é que o novo Plano Diretor funcione como uma ferramenta capaz de compatibilizar a atração de bilhões em investimentos privados com a preservação ambiental e a distribuição justa dos serviços públicos. A sorte está lançada, e o parlamento rondonopolitano se prepara para ser o palco de uma das mais complexas e acirradas batalhas legislativas do ano.
