A guerra de bastidores na política de Mato Grosso ganhou contornos de escândalo com o vazamento de um caso escancarado de infidelidade partidária misturado a suspeitas gravíssimas de assédio moral contra o funcionalismo público. Mesmo estando formalmente filiado ao PL — legenda que ostenta a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo do Estado —, um prefeito decidiu virar as costas para a própria casa, rasgar a lealdade partidária e declarar apoio incondicional ao projeto encabeçado pelo governador Otaviano Pivetta e por Mauro Mendes. Como se a traição política não fosse suficiente, o gestor agora se vê no olho do furacão após vir à tona a denúncia de que está utilizando a estrutura e a caneta da prefeitura para empurrar servidores públicos goela abaixo em um evento de interesse político.
O desentendimento ganhou tração nas redes sociais e em grupos de mensagens com a divulgação de mensagens e um vídeo indignante. De acordo com a apuração, a convocação enviada aos trabalhadores continha um tom abertamente intimidador e autoritário: o comunicado classificava a presença no ato como “indispensável” e avisava de forma categórica que qualquer ausência precisaria ser devidamente justificada por escrito e encaminhada diretamente ao gabinete do prefeito. A exigência de um relatório de faltosos para um evento de filiação e lançamento de pré-candidaturas acendeu o alerta em órgãos de controle e gerou revolta instantânea entre os funcionários, que se viram emparedados entre o receio de retaliação no trabalho e o constrangimento de figurar como plateia forçada no palanque.
A manobra do prefeito traz à tona a incoerência do cenário eleitoral mato-grossense, onde o oportunismo fala mais alto do que as bandeiras partidárias. Ao flertar de forma escancarada com a máquina governista de Pivetta e Mauro Mendes, o gestor explicita a racha interna e a fragilidade do alinhamento partidário na base, tentando agradar o Palácio Paiaguás em troca de benesses e convênios para o município. Por outro lado, a tentativa de usar a dependência do funcionalismo público para inflar palanques e criar uma falsa demonstração de força política expõe a truculência com que certas lideranças operam no interior, ignorando limites éticos e legais básicos da administração pública.
Com o vídeo circulando com força e o desgaste batendo à porta, o caso deve desdobrar-se em representações junto ao Ministério Público para apurar o eventual uso da máquina pública e abuso de poder político. Enquanto os comitês de oposição aproveitam o deslize para denunciar o desespero e a truculência do grupo alinhado ao governo, os eleitores e servidores acompanham de perto a movimentação, estarrecidos com a audácia de um prefeito que, além de trair a própria legenda, tenta transformar a máquina administrativa em um puxadinho eleitoral.
