A deputada estadual e pré-candidata ao Senado, Janaina Riva (MDB), mexeu com as estruturas do tabuleiro político de Mato Grosso ao dar uma verdadeira aula de pragmatismo e firmeza durante entrevista à CBN Cuiabá nesta terça-feira (21). Com o linguajar direto que virou sua marca registrada, a parlamentar fincou pé em sua pré-candidatura à Câmara Alta do Congresso e mandou um recado de tom provocativo para as raposas da política tradicional que tentam empurrá-la para posições secundárias na chapa majoritária. Janaina rechaçou de forma categórica qualquer especulação que a coloque como vice e expôs a leitura machista de bastidor que insiste em limitar a ascensão feminina nas urnas: “Quando se trata de uma mulher, a todo tempo tentam colocá-la como vice. O que eu estou trabalhando agora é para ser senadora de Mato Grosso”.
A movimentação de Janaina ganha contornos de pura engenharia eleitoral ao confirmar a existência de uma blindagem política e de um entendimento prévio com o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), e com o deputado Eduardo Botelho (União Brasil). O trio de peso construiu um pacto para marchar rigorosamente no mesmo palanque, criando um bloco de altíssima densidade eleitoral que promete ditar as regras das coligações deste ano. Ao garantir que sua postulação ao Senado é ponto de consenso entre Max e Botelho — e ao projetar uma bancada unida de MDB e Podemos capaz de eleger até dez deputados estaduais —, a emedebista manda uma mensagem cristalina ao grupo do governador Mauro Mendes e aos demais postulantes ao Paiaguás: para ter o apoio do “Supergrupo”, terão que engolir seu nome na disputa por Brasília.
Com a habilidade de quem transita sem traumas pela centro-direita e dialoga com diferentes espectros, Janaina tratou de derrubar qualquer veto ideológico ou barreira partidária sobre conversas com o PL do senador Wellington Fagundes ou outras legendas. Relembrando que MDB, PL, União Brasil e Republicanos já dividiram o mesmo palanque em pleitos passados, a deputada ironizou os puristas de ocasião ao classificar eventuais resistências como fruto de “interesses individuais, e não partidários”. Na visão da parlamentar, a busca pela vitória nas urnas exige razão e pragmatismo, avisando que fará tudo o que for juridicamente e politicamente necessário para figurar na liderança das pesquisas de voto.
No campo das pautas nacionais, a pré-candidata desenhou um discurso duro que dialoga diretamente com as dores do eleitorado de polos como a Baixada Cuiabana e o interior do estado, destacando Rondonópolis e a região sul. Em um contraponto severo ao avanço das facções criminosas que tentam impor um “poder paralelo” em bairros periféricos na omissão do Estado, Janaina defendeu reformas profundas no sistema penal. A parlamentar elevou o tom ao propor a introdução da pena de prisão perpétua para autores de feminicídio, pedófilos e estupradores, cobrando coragem do Congresso Nacional para enfrentar o debate constitucional com a mesma urgência que destina para votar fundos eleitorais e blindagens políticas.
Defendendo investimentos federais pesados no combate à violência doméstica — como botões do pânico georreferenciados e socorro financeiro imediato para mulheres que precisam fugir de lares violentos —, Janaina criticou a morosidade da Justiça em punir atos de violência política de gênero no parlamento. Questionada sobre a pauta econômica e o fim da jornada 6×1, a deputada adotou tom cauteloso, afirmando que aguarda estudos para evitar desemprego ou informatização da mão de obra, sem deixar de reconhecer a sobrecarga da classe trabalhadora. Ao encerrar a entrevista reafirmando que Mato Grosso estará sempre acima de partidos ou orientações ideológicas no Congresso, a emedebista prova que chega para o embate de 2026 com o discurso afinado, um bloco de apoio pesado nos braços e zero disposição para aceitar ordens de gabinete.
