A base de sustentação do Palácio Paiaguás na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) sofreu um abalo sísmico de proporções históricas. O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil), figura central e articulador de primeira hora do Poder Executivo no parlamento, adotou um tom de clara despedida da liderança do Governo e avisou que seu futuro no cargo depende rigorosamente do desfecho da convenção estadual da sua sigla. Sem panos quentes, o parlamentar deixou transparente que, se o União Brasil fechar questão ao redor da candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado, ele não hesitará em arrumar as malas do comando governista para marchar ombro a ombro com o projeto do seu próprio partido, deixando o governador Otaviano Pivetta isolado no plenário.

A engenharia dessa declaração joga holofotes sobre o desarranjo e o nível de estresse que tomou conta das articulações da situação nas últimas semanas. Dilmar pontuou que o compromisso de gerenciar os projetos do Executivo no parlamento sempre foi fruto de uma composição partidária e institucional. No entanto, diante da iminente fratura entre o grupo de Pivetta e a cúpula do União Brasil — comandada pelos irmãos Jayme e Júlio Campos —, o líder da bancada deixou claro que a prioridade é a sobrevivência e a lealdade à legenda. O recuo anunciado funciona como uma ducha fria nos estrategistas do Paiaguás, que contavam com a habilidade técnica de Dal Bosco para conter a insatisfação de deputados e blindar o governo contra desgastes em pleno ano eleitoral.

Nos bastidores da ALMT e nos comitês partidários espalhados pelo interior, a postura de Dilmar é interpretada como o sintoma definitivo de que o navio governista perdeu tração e estabilidade. Analistas veteranos sinalizam que a fala com sotaque de adeus escancara o esvaziamento político de Pivetta, que vê um dos seus quadros mais leais preparar o desembarque antes mesmo da abertura oficial dos palanques. Sem a garantia de ter Dilmar na linha de frente para defender pautas espinhosas e aprovar projetos de interesse do Executivo, a articulação do governo corre o risco de entrar em colapso total na fase mais decisiva e ruidosa do ano legislativo.

Com a data da convenção do União Brasil se aproximando, o clima nas comissões e no plenário é de pura expectativa e recalculagem de rota. A eventual saída de Dilmar Dal Bosco da liderança abre uma ferida aberta no coração do Paiaguás, expondo a incapacidade da gestão em manter sua própria base aliada unificada. Enquanto Pivetta tenta segurar as pontas para evitar uma debandada geral de parlamentares rumo ao palanque de Jayme Campos, o aviso dado pelo líder deixa a mensagem cristalina nos corredores do poder: a fidelidade partidária já falou mais alto e o adeus à liderança é apenas uma questão de contagem regressiva nas atas do parlamento mato-grossense.