Mato Grosso está vivendo um verdadeiro “vale-tudo” sanitário, onde a meningite dita as regras e o poder público apenas conta os corpos. O número de casos confirmados no estado subiu para 32 em 2026, com a capital, Cuiabá, liderando isolada essa estatística nefasta com 16 ocorrências. Enquanto o luto já visitou oito famílias mato-grossenses este ano, o governo federal sob a batuta de Lula mantém a vacina contra a meningite B — a cepa mais agressiva — como um item de luxo inacessível ao cidadão comum, deixando o SUS desarmado e a população à mercê da própria sorte.
A falta de ação não atravessa apenas a fronteira federal; ela se acomoda confortavelmente nos corredores do Palácio Paiaguás. O governo Pivetta, que deveria estar na linha de frente com campanhas agressivas de vacinação e bloqueio epidemiológico, parece mais interessado em manter a “saúde das planilhas” do que a das pessoas. A ausência de medidas efetivas para conter o surto em cidades como Cuiabá e Rondonópolis revela uma gestão que prefere o silêncio administrativo ao enfrentamento de uma doença que não espera por burocracia para vitimar crianças e jovens. É a política do “deixa como está para ver como fica”, onde o “fica” se traduz em mais leitos de UTI ocupados e mais certidões de óbito emitidas.
Enquanto a vacina contra a meningite B segue sendo um privilégio de quem pode pagar centenas de reais em clínicas particulares, o mato-grossense que depende da rede pública recebe apenas estatísticas e desculpas esfarrapadas. A combinação da negligência de Brasília em não democratizar o imunizante com a inércia do governo Pivetta em Mato Grosso cria o cenário perfeito para uma tragédia anunciada. No fim das contas, entre a canetada que nega a vacina no SUS e a lentidão estadual em agir, o que sobra para a população é o medo de um diagnóstico que, pela falta de prevenção, muitas vezes chega tarde demais.
