O governador em exercício Otaviano Pivetta parece ter adotado a estratégia da “raposa e as uvas”: como não consegue o protagonismo que desejava no palanque bolsonarista, decidiu dizer que as uvas estão verdes. Ao afirmar publicamente que não vai “se acotovelar” para aparecer ao lado do senador Flávio Bolsonaro durante a agenda em Mato Grosso, Pivetta tenta transformar seu isolamento em uma suposta postura de independência. O gesto, porém, soa mais como um grito de socorro de quem vê o tabuleiro de 2026 ser montado sem a sua peça principal no centro.

Enquanto Pivetta ensaia um desdém diplomático, nomes como o senador Wellington Fagundes e o deputado federal José Medeiros não perdem tempo com cerimônias e garantem seus lugares na “janela” do voo bolsonarista. Para os analistas de bastidor, a fala de Pivetta expõe a fragilidade de sua articulação com a direita raiz, que parece preferir a lealdade declarada de seus concorrentes ao pragmatismo frio do atual ocupante do Palácio Paiaguás. O discurso de que “não precisa de empurra-empurra” cai por terra quando se percebe que, na política, quem não se acotovela acaba, invariavelmente, ficando na rabeira da foto.

A tentativa de Pivetta de se colocar acima da “disputa por cliques” revela um político que começa a sentir o peso do vácuo deixado pela saída de Mauro Mendes. Sem a sombra do titular para protegê-lo e sem a benção explícita do clã Bolsonaro, o governador em exercício corre o risco de virar um espectador de luxo da própria sucessão. Enquanto Flávio Bolsonaro desfila pelo estado carregando seus aliados preferenciais a tiracolo, Pivetta fica com a “soberba” de quem diz não querer o que, na verdade, não conseguiu conquistar: o reconhecimento de ser o herdeiro legítimo do bolsonarismo em Mato Grosso.