A paciência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso com os experimentos administrativos do governo estadual parece ter chegado ao limite da reserva. O presidente da Casa, Max Russi, mandou um recado direto para o Palácio Paiaguás ao afirmar que o Legislativo pode intervir na crise que envolve o samu. Russi não apenas demonstrou preocupação com as recentes demissões, como exigiu uma análise técnica rigorosa sobre a proposta de integrar o serviço aos bombeiros, deixando claro que o socorro médico não pode ser tratado como um laboratório de ideias sem fundamento científico.

Enquanto o governador em exercício Otaviano Pivetta minimiza a situação e manda profissionais buscarem vagas por aí, o comando da Assembleia sinaliza que o jogo político vai mudar de tom. Para Max Russi, qualquer mudança estrutural em um serviço que lida com a vida dos mato-grossenses precisa de um embasamento que vá além do simples corte de gastos ou da conveniência política. O deputado pontuou que o Parlamento não ficará assistindo passivamente ao desmonte de uma rede que, embora combalida, é a última esperança de quem sofre um acidente ou um infarto no estado.

A cobrança de Russi expõe o isolamento da atual gestão e joga luz sobre a falta de planejamento que tem marcado as decisões recentes sobre o samu. Ao exigir dados técnicos, o Legislativo coloca um freio de arrumação nas intenções do governo de fundir os serviços sem explicar como isso afetará o tempo de resposta e a qualidade do atendimento. No tabuleiro político, o aviso está dado: se o Executivo insistir em jogar com a sorte da saúde pública, terá que prestar contas em um palanque muito menos amigável do que os corredores do Paiaguás.