O clima nos corredores do Congresso Nacional e do Palácio do Buriti deixou de ser de cafezinho e passou a ser de apreensão absoluta. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), preso preventivamente pela Polícia Federal, já deu o aviso: se o barco afundar, ele não será o único a se molhar. Antes de ver o sol nascer quadrado, o executivo costumava confidenciar a interlocutores que possui um arsenal de provas capaz de tirar o sono de caciques graúdos do Centrão, especialmente das fileiras do PP e do União Brasil, siglas conhecidas pelo apetite voraz em indicações políticas e transações nada republicanas.
A estratégia de Paulo Henrique ficou clara com a recente troca de sua defesa. A entrada de advogados especializados em acordos de colaboração é vista em Brasília como o passo definitivo para a abertura da “caixa-preta” do BRB. Investigado por receber propinas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em forma de imóveis de luxo, o ex-presidente agora tenta transformar sua memória em um passaporte para a liberdade. O temor entre os parlamentares é que ele detalhe como o banco foi utilizado como balcão de negócios para sustentar alianças políticas, revelando quem eram os verdadeiros beneficiários do esquema bilionário.
Enquanto a Polícia Federal analisa os relatórios que apontam fraudes e desvios, os líderes partidários correm para medir o tamanho do estrago que uma delação de Paulo Henrique pode causar. Para quem vive de negociar votos por cargos e influência financeira, o ex-presidente do BRB é hoje a maior ameaça à estabilidade dos bastidores do poder na capital federal. O recado está dado: a conta do luxo em São Paulo e Brasília chegou, e o troco pode vir recheado de nomes e sobrenomes que até ontem se julgavam intocáveis.
