O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, resolveu que a melhor fachada para sua administração era trazer Newton Ishii, o “Japonês da Federal”, para o cargo de secretário-adjunto de Governo. Famoso por escoltar figurões da Lava Jato, o “Japa” agora troca as algemas pelos ofícios, servindo como um amuleto moral para o prefeito. A estratégia é puramente visual: usar o impacto que a figura de Ishii impõe para simular uma vigilância máxima nos corredores da prefeitura, transformando o Palácio Alencastro em um cenário de marketing anticorrupção onde o medo substitui a gestão.

A ironia reside no “passo a passo” do currículo do novo xerife, que já foi condenado por facilitar contrabando na fronteira, o que lhe garante um conhecimento empírico invejável sobre as brechas da lei. No grande teatro político de 2026, a contratação é mais um adereço de luxo do que uma reforma ética real. Se a administração não entregar resultados, ao menos a foto da escolta oficial já está garantida, restando saber se os secretários cuiabanos ficarão mais honestos ou apenas mais assustados com a presença do carcereiro mais famoso do Brasil.