O sonho de consumo de muitos produtores rurais mato-grossenses virou um pesadelo financeiro de proporções milionárias nas mãos de uma empresa que vendia solidez, mas entregava apenas calote. A Polícia Civil deflagrou a Operação Agro-Fantasma nesta quarta-feira, mirando uma associação criminosa que se especializou em convencer agricultores a emprestarem seus nomes para compras de grãos a prazo. O roteiro do golpe era clássico: nos primeiros meses, a empresa pagava as contas em dia para ganhar a confiança da vítima, mas logo o fluxo de dinheiro secava, deixando o produtor com a dívida nas costas enquanto os investigados revendiam a mercadoria à vista para as indústrias, embolsando o lucro líquido e certo.

Enquanto as vítimas tentavam equilibrar as contas, os líderes do esquema desfilavam em veículos importados de alto padrão, como Porsches e Dodge Rams, e desfrutavam do conforto de mansões em condomínios de luxo. A farra dos “barões do grão alheio”, no entanto, sofreu um bloqueio severo com a ordem judicial que determinou o sequestro de bens, incluindo uma aeronave avaliada em quase R$ 6 milhões. Com mandados cumpridos em Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande, a operação tenta agora rastrear o paradeiro do dinheiro desviado, provando que, no campo da justiça mato-grossense, o Programa Tolerância Zero não permite que o crime organizado continue colhendo o que nunca plantou.