A recente crise diplomática provocada pelas declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, vai muito além de uma simples gafe protocolar. Ao afirmar em Berlim que sua comitiva ficou “contente” em deixar Belém e questionar quem gostaria de permanecer na cidade, Merz trouxe à tona o que os bastidores da diplomacia tentavam abafar: o choque das delegações estrangeiras com as precárias condições de higiene, saúde e saneamento da capital paraense. O “alívio” citado pelo líder alemão, segundo correspondentes europeus, tem endereço certo: a convivência forçada com valas de esgoto a céu aberto, o acúmulo de lixo nas vias de acesso à COP30 e a insegurança sanitária que marcou a estadia dos europeus na Amazônia.
Enquanto o governo brasileiro reage com discursos sobre soberania e convites para tomar tacacá, a imprensa internacional, como a Deutsche Welle, contextualiza a fala de Merz como um reflexo direto da infraestrutura colapsada de Belém. Relatos de diplomatas apontam que a “experiência amazônica” vendida pelo Brasil se transformou, para muitos, em um pesadelo logístico e sanitário, onde a falta de água potável regular e o saneamento básico inexistente em grandes áreas da cidade contrastaram brutalmente com os padrões exigidos para um evento global. A ironia de Merz sobre “voltar para a Alemanha” não foi apenas um elogio ao seu país, mas uma crítica velada à incapacidade de Belém de oferecer o mínimo de salubridade urbana para seus visitantes, transformando a Cúpula do Clima em um exemplo prático das desigualdades que o próprio evento deveria combater.
