Em um movimento estratégico para tentar blindar o Palácio do Planalto e garantir a continuidade do projeto petista no poder, o Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo (2), em São Paulo, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Em chapa repetida com o vice Geraldo Alckmin (PSB), o evento reuniu a cúpula da esquerda nacional para traçar a linha de frente da campanha de 2026. No entanto, por trás da retórica de soberania e da aposta em acenar prioritariamente ao eleitorado idoso e pensionista, o lançamento da pré-candidatura ocorre sob um verdadeiro campo de minas ético: a repercussão avassaladora do escândalo de fraudes e descontos indevidos na Previdência Social.
A insistência do marketing do PT em colocar os aposentados no centro do discurso eleitoral beira a audácia tática. A estratégia tenta disfarçar a sangria provocada pelas investigações da Polícia Federal na Operação Sem Desconto e na CPMI do INSS, que trouxeram à tona o maior golpe contra a folha de pagamento de idosos da história recente do país. O desgaste é ainda mais sensível porque as apurações atingiram em cheio o núcleo familiar do próprio presidente.
As investigações do esquema apontam suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, investigado sob a tese de atuar como “sócio oculto” ou intermediário de operadores de desvios na Previdência, o que motivou a quebra de seus sigilos e autorização de inquérito pelo STF. Na outra ponta do escândalo, a PF também realizou buscas no Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), entidade onde o irmão de Lula, José Ferreira da Silva (o Frei Chico), ocupa o cargo de vice-presidente e que acabou arrastada para o centro do escrutínio sobre entidades beneficiadas por repasses e filiações fantasmas.
Enquanto o palanque montado em São Paulo tenta vender a imagem de um governo protetor das camadas vulneráveis, o fantasma das fraudes consignadas e o saque no bolso dos aposentados prometem ser a maior pedra no sapato da campanha petista. Ao tentar buscar a simpatia justamente da fatia da população atingida pelos golpes que tramitaram nas barbas do Executivo, a chapa de Lula precisará de mais do que discursos de convenção para convencer o eleitor de que as promessas de campanha conseguem se sobrepor às duras marcas de um escândalo que bateu à porta da própria família do presidente.
