A panela de pressão nos bastidores do Palácio Paiaguás finalmente explodiu no fim da tarde desta segunda-feira (3). Em uma cartada autoritária e sem qualquer margem para diálogo com os partidos aliados, o ex-governador Mauro Mendes (União) impôs o nome do seu ex-secretário de Fazenda, Rogério Gallo (União Brasil), como pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos). A manobra de força de Mendes, que rifou as pretensões de outras siglas da base, desencadeou uma crise sem precedentes que promete rachar em definitivo o arco governista.

O reflexo da decisão unilateral do cacique do União Brasil foi imediato e devastador. Sentindo-se atropelado e escanteado das decisões estratégicas, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e forte liderança do grupo (Podemos), Max Russi, reagiu com extrema indignação e já ameaça romper formalmente com a candidatura de Pivetta. Interlocutores ligados a Russi apontam que o sentimento de indignação é geral diante do desprezo demonstrado pela Família Mendes em relação às forças partidárias que sustentavam o projeto do vice-governador.

A truculência do Palácio Paiaguás criou o cenário perfeito para uma reviravolta de proporções históricas na política estadual. Com a porta na cara dada por Mauro e Pivetta, ganha força devastadora a articulação para que o grupo capitaneado por Max Russi desembarque com armas e bagagens no palanque do pré-candidato ao Governo, senador Wellington Fagundes (PL).

Habilidoso na construção de pontes, Wellington já havia deixado a vaga de vice em sua chapa majoritária aberta exatamente para abrigar a indicação do partido comandado pelo presidente da Assembleia. O desfecho da imposição por Rogério Gallo não apenas isola Pivetta diante da opinião pública e dos aliados, mas serve em bandeja de ouro a musculatura do interior e da bancada estadual de Russi para fortalecer a oposição, provando que o excesso de centralização de Mauro Mendes pode ser o estopim da derrocada do projeto governista para 2026.