A composição da chapa majoritária encabeçada pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás trouxe à tona o aprofundamento de um racha político que vinha sendo gerido nos bastidores. A escolha da deputada federal Gisela Simona (União Brasil) como candidata a vice-governadora não apenas evidenciou o distanciamento entre Pivetta e o ex-governador Mauro Mendes, como agravou as tensões dentro do principal grupo político do estado.
O desconforto ganhou contornos públicos após manifestações de Mendes desaprovando a formatação da chapa, sinalizando que a aliança não contou com a coesão esperada da cúpula do União Brasil. A reação do líder partidário quebrou a harmonia aparente entre os dois principais polos do governismo e escancarou disputas de espaço e poder na definição das vagas majoritárias.
Embora Gisela Simona venha a público para minimizar as divergências, afirmando que dialogou previamente e obteve o aval das lideranças antes de formalizar a composição, os gestos políticos revelam um ambiente conflagrado. O esforço da candidata a vice em tratar o episódio como um debate interno rotineiro contrasta com o desgaste evidente entre Mendes e Pivetta, cuja relação institucional e política segue estremecida com a consolidação da chapa.
O cenário coloca o bloco governista diante do desafio de conter dissidências abertas e evitar que o descontentamento contamine as campanhas proporcionais no estado. Com a corrida eleitoral em andamento, as movimentações de bastidores indicam que o racha na liderança continuará repercutindo no alinhamento das bases e na correlação de forças políticas em Mato Grosso.
