O xadrez político do MDB em Rondonópolis entrou em uma fase de pura fervura e ameaça explodir a aparente unidade da sigla no maior colégio eleitoral do interior do estado. A movimentação intensa e estratégica de Jéssica Riva, pré-candidata a deputada estadual, jogou combustível nos bastidores do partido ao desembarcar no município e consolidar alianças de peso com figuras históricas e tradicionais do emedebismo local. A articulação agressiva e de braços abertos foi interpretada imediatamente como uma declaração de guerra silenciosa e um rastro de isolamento contra o deputado estadual Thiago Silva, que caminha para tentar a reeleição e vê seu reduto eleitoral ser invadido pela própria cúpula partidária.

O avanço de Jéssica em Rondonópolis carrega um forte componente geopolítico que vai muito além de uma simples disputa de vagas na Assembleia Legislativa. Ela é irmã biológica de ninguém menos que a deputada e presidente estadual do MDB, Janaina Riva — que já se move abertamente como pré-candidata ao Senado Federal. Esse parentesco de peso faz com que a presença de Jéssica no município seja encarada por analistas como uma jogada de mestre do “clã Riva” para fincar bandeira na região sul, usando a máquina partidária estadual para atrair lideranças descontentes que há tempos buscavam uma alternativa ao centralismo político exercido pelo grupo de Thiago Silva.

A debandada de caciques históricos do MDB rondonopolitano para o palanque de Jéssica Riva expõe um racha interno que promete deixar cicatrizes profundas até as convenções partidárias. Ao priorizarem o projeto da nova postulante e deixarem o atual deputado estadual de lado, esses dinossauros da política local mandam um recado claro de que Thiago Silva não tem mais o monopólio e o controle absoluto do partido na cidade. Enquanto o comitê do parlamentar tenta minimizar o estrago e organizar uma contraofensiva para estancar o rastro de perdas, a oposição assiste de camarote ao desarranjo na cúpula emedebista, ciente de que um partido fragmentado em sua principal base é o primeiro passo para o naufrágio eleitoral.