O rastro de promessas não cumpridas sobre a mobilidade urbana da região metropolitana ganhou mais uma desculpa esfarrapada nos bastidores do Palácio Paiaguás. Pressionado pelo racha nas cobranças sobre o cronograma arrastado das obras do BRT (Bus Rapid Transit), o ex-governador Mauro Mendes perdeu a paciência com a imprensa e disparou uma daquelas frases que soam como deboche para o cidadão que sofre diariamente no trânsito. Sem meias palavras para tentar estancar o desgaste técnico de sua gestão, Mendes mandou a seguinte pérola: “Eu prometi resolver o problema, não prometi concluir a obra”.
Para não assumir o rastro de incompetência no planejamento da Sinfra-MT, o governador correu para o comitê de ataques e jogou toda a culpa pelo desarranjo das pistas no colo do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro. Segundo Mendes, a herança maldita e as supostas travas burocráticas deixadas pela antiga gestão municipal da capital foram os únicos fatores que sabotaram o andamento dos trilhos arrancados e da pavimentação do novo modal, empacando o rastro de inaugurações que o governo planejava usar como vitrine eleitoral no interior.
A retórica agressiva de Mauro Mendes tenta criar uma cortina de fumaça jurídica, mas ignora o fato de que o comércio das avenidas afetadas continua amargando prejuízos severos e que a população segue pagando a conta de um poço sem fundo financeiro. Enquanto os marqueteiros do Paiaguás tentam suavizar a fala e explicar o inexplicável, a oposição na Assembleia Legislativa aproveitou o ato falho para emparedar o governador, provando que quem prometeu uma revolução no transporte público agora se esquiva dos prazos de entrega e deixa a Grande Cuiabá presa em um canteiro de obras interminável.
