O rastro de indignação que toma conta das rodovias estaduais de Mato Grosso ganhou uma cortina de fumaça conveniente nos bastidores do poder. Ao subir o tom e esbravejar publicamente que as empreiteiras serão obrigadas a refazer trechos inteiros de asfalto destruído, o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, o “Padeiro”, tenta posar de xerife do dinheiro público. No entanto, o discurso durão esconde uma realidade incômoda: a Sinfra-MT falhou miseravelmente em seu papel principal de fiscalizar as obras com o rigor necessário antes de carimbar as medições e liberar os pagamentos milionários.
A retórica de que “quem faz errado faz duas vezes” soa como música para o contribuinte, mas ignora o rastro de desleixo institucionalizado. Se o asfalto cedeu, rachou ou virou uma colcha de retalhos logo após a entrega, é porque o controle de qualidade do Estado foi omisso na hora de acompanhar a base, a sub-base e a mistura asfáltica na pista. Enquanto o comitê político do governo tenta empurrar 100% da culpa para o colo das empreiteiras, os usuários das rodovias continuam pagando a conta mais cara, arriscando suas vidas e destruindo seus veículos em estradas em condições deploráveis.
Para piorar o desarranjo, o ultimato de Padeiro não passa de uma promessa sem garantias reais nos bastidores do mercado da construção pesada. Ninguém no setor assegura que essas empresas de fato retornarão aos trechos sem acionar a justiça para exigir aditivos financeiros ou travar os contratos em disputas jurídicas intermináveis. E mesmo que o retrabalho aconteça, a persistência da mesma fiscalização capenga que gerou o primeiro rastro de erros deixa claro que o estado caminha em círculos, provando que quem fiscaliza mal uma vez, permite que errem duas ou três vezes no mesmo asfalto.
