As pretensões eleitorais do partido Missão sofreram um duro revés jurídico que reverberou imediatamente nos bastidores políticos de Mato Grosso. A Justiça de São Paulo negou, em instâncias consecutivas, o pedido de tutela de urgência protocolado por Renan Santos, coordenador do MBL e pré-candidato à Presidência da República, que exigia a remoção imediata de postagens em redes sociais. As publicações em questão expõem e repercutem um boletim de ocorrência registrado em 2021, no qual o político é formalmente acusado dos crimes de violência doméstica e estupro.
Nas decisões proferidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, os magistrados entenderam que, neste momento processual, não há demonstração suficiente de conteúdo manifestamente falso que justifique a retirada das publicações. A Justiça ressaltou que as postagens nas plataformas digitais limitam-se a reproduzir informações que constam oficialmente em documentos policiais de conhecimento público. A negativa de censura prévia desmontou a estratégia jurídica do comitê central do Missão, que tentava passar um pano e criar uma cortina de fumaça digital para blindar o candidato às vésperas do afunilamento partidário.
Em Mato Grosso, o rastro do escândalo atingiu em cheio o palanque do também polêmico Rafael Milas, lançado como o nome da sigla para a disputa ao governo do estado. Conhecido em Cuiabá e Rondonópolis por seu perfil agressivo nas redes, onde costuma apontar o dedo para vários políticos e fazer discursos inflamados sobre moralidade em casos de grande repercussão, Milas surpreendeu os bastidores ao adotar uma paralisia completa. Até o momento, o pré-candidato mato-grossense não emitiu uma única linha de posicionamento sobre as graves acusações que pesam contra o seu cabeça de chapa nacional, configurando um silêncio tático interpretado por adversários como puro constrangimento.
Em nota oficial emitida para fazer frente ao desgaste nas mídias, a defesa de Renan Santos rechaçou veementemente as acusações e classificou as postagens como parte de uma engrenagem coordenada de difamação política. Os advogados do pré-candidato alegam que os fatos mencionados foram distorcidos e que o registro policial antigo está sendo utilizado de forma oportunista por grupos opositores para assassinar a reputação do líder do Missão. Enquanto o partido tenta se segurar nas cordas e mitigar o estrago na credibilidade, a oposição em Mato Grosso promete usar o mutismo de Rafael Milas para emparedar a coerência do discurso de sua pré-campanha.
