O Palácio do Planalto entrou em estado de alerta vermelho e montou uma verdadeira operação de guerra nos bastidores para tentar estancar o rastro de desgaste político que ameaça o coração do governo. Diante do avanço avassalador de novas investigações e da iminência de novas revelações bombásticas, a articulação política da Presidência da República já se prepara abertamente para receber uma nova enxurrada de denúncias contra o grupo que ficou conhecido em Brasília como a “República da Bahia” — núcleo baiano de forte influência no poder, capitaneado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner. O objetivo central da mobilização emergencial é construir uma barreira jurídica e midiática para blindar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de qualquer contaminação direta.
A preocupação dos bombeiros institucionais do governo não é infundada e baseia-se no potencial destrutivo das frentes de apuração comandadas pelas forças de segurança. Os holofotes estão voltados para os desdobramentos de auditorias e delações que miram contratos bilionários e movimentações financeiras atípicas ocorridas no estado baiano, cujos reflexos começam a bater às portas dos gabinetes ministeriais na capital federal. Para os estrategistas do Planalto, a tática agora consiste em isolar politicamente os episódios, tratando as denúncias como problemas de ordem puramente pessoal ou regional, evitando a todo custo que o rastro da lama respingue na agenda econômica e nos índices de popularidade da gestão federal.
Nos corredores do Congresso Nacional, o clima é de extrema apreensão entre os parlamentares da base aliada, que temem a paralisia das pautas legislativas caso o escândalo ganhe proporções incontroláveis nas próximas semanas. A oposição, por sua vez, promete intensificar a cobrança por explicações e usar o mutismo ou as defesas titubeantes do núcleo baiano para emparedar a narrativa de moralidade do governo. Enquanto a defesa técnica dos citados corre contra o tempo para tentar neutralizar o impacto dos relatórios nos tribunais superiores, o comitê central de Lula trabalha sob forte tensão, ciente de que qualquer erro de cálculo na estratégia de blindagem pode decretar uma crise institucional de consequências imprevisíveis para o futuro do mandato.
