Os bastidores políticos e o Palácio Paiaguás foram atingidos por uma nova e devastadora frente de investigação criminal que sobe a rampa dos tribunais superiores em Brasília. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu um inquérito sigiloso para investigar o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), por supostas irregularidades e favorecimento ilícito envolvendo operações de crédito consignado operadas pelo Banco Master dentro da máquina pública estadual. A linha de apuração, que corre sob forte segredo de Justiça, coloca sob suspeita decretos assinados pelo chefe do Executivo mato-grossense que abriram caminho para o endividamento em massa do funcionalismo público local.
Os investigadores focam a lupa no processo de credenciamento do Credcesta — o braço de cartões de benefício e crédito consignado do Banco Master — junto à administração pública de Mato Grosso no ano de 2023. A suspeita de favorecimento ganhou tração técnica após vir à tona que, em maio daquele mesmo ano, o governo estadual editou um decreto alterando de forma agressiva a margem consignável dos servidores públicos para até 60%. A mudança regulatória repentina alavancou de forma artificial a carteira de crédito da instituição financeira, permitindo que o banco operasse uma verdadeira ofensiva comercial sobre as folhas de pagamento do funcionalismo.
O rastro financeiro sob investigação das autoridades e já monitorado por órgãos de controle revela cifras avassaladoras. De acordo com denúncias formais apresentadas por entidades sindicais de servidores e que abastecem as frentes de auditoria, o total descontado pelo Banco Master diretamente na folha de pagamento do funcionalismo de Mato Grosso chegou à impressionante marca de R$ 37 milhões apenas em um ano. O escândalo, que também já provocou embates e suspensões na Justiça comum e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), agora é tratado pela cúpula do Judiciário federal como um esquema sistêmico com ramificações que cruzam diferentes frentes da política partidária.
Com a abertura do procedimento no STJ, a oposição e os analistas do comitê central em Cuiabá projetam uma forte turbulência na base governista no momento em que o grupo tentava unificar o discurso para as próximas disputas majoritárias. Enquanto a defesa técnica do governador e os executivos do Banco Master tentam conter os estragos e esvaziar os relatórios de auditoria, o avanço da investigação empareda a narrativa de eficiência fiscal do governo, transformando as margens de crédito dos servidores públicos no principal ponto de desgaste político da gestão estadual.
