A crise profunda de credibilidade que corrói os alicerces do Supremo Tribunal Federal (STF) forçou uma mudança drástica de postura em um de seus personagens mais controversos. Em um movimento interpretado nos bastidores políticos de Brasília como uma tentativa nítida de “explicar o inexplicável”, o ministro decano Gilmar Mendes bateu um recorde absoluto de exposição pública. Um levantamento minucioso publicado pelo Poder360 revelou que, acuado pelo desgaste severo da corte, o magistrado concedeu nada menos que 11 entrevistas detalhadas em um intervalo de apenas dois meses — uma média impressionante de quase duas aparições midiáticas por semana.

A ofensiva de comunicação de Gilmar Mendes quebra a velha máxima jurídica de que “os juízes só falam nos autos” e expõe o tamanho do pânico que tomou conta das cúpulas do poder. Tradicionalmente conhecido por despachar em gabinetes blindados longe do escrutínio público, o ministro se viu obrigado a virar figurinha carimbada em canais de televisão, jornais impressos e podcasts de grande alcance. Para analistas políticos em Cuiabá e Rondonópolis, essa superexposição não é um gesto espontâneo de transparência, mas sim uma operação de relações públicas montada às pressas para tentar conter a insatisfação popular com as decisões monocráticas e os inquéritos perpétuos da corte.

Nos bastidores do Congresso Nacional, a maratona de entrevistas de Gilmar Mendes virou motivo de ironia entre parlamentares da oposição. A leitura técnica é de que o ministro assumiu o papel de “bombeiro institucional”, tentando construir narrativas jurídicas malabaristas para justificar decisões altamente impopulares, como a anulação de condenações de colarinho branco e a interferência constante nas competências do Poder Legislativo. Contudo, o tiro parece estar saindo pela culatra: a insistência em ir a público para legitimar o que a população enxerga como abusos institucionais tem apenas ampliado o desgaste e evidenciado a fragilidade das defesas do tribunal.

Com a pressão popular aumentando e o avanço de propostas de emenda à Constituição (PECs) que visam limitar os poderes dos ministros do STF, a estratégia de saturação midiática adotada por Gilmar Mendes caminha para o esgotamento. O rastro de justificativas repetitivas nas páginas dos principais portais de notícias do país não tem sido suficiente para dobrar a desconfiança da sociedade e do setor produtivo. Sem conseguir entregar a estabilidade jurídica que o país exige e preso à necessidade de justificar arranjos políticos de bastidores, o decano descobre da pior maneira possível que nenhuma quantidade de entrevistas é capaz de reescrever a realidade e apagar o rastro de desaprovação popular.