Os bastidores da sucessão presidencial e das composições majoritárias entraram em uma fase de pura fervura e chantagem partidária escancarada. O diretório nacional do Republicanos mandou um recado duro e pragmático à cúpula do Partido Liberal (PL), condicionando o apoio formal à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República a um acordo de porteira fechada em quatro estados estratégicos. No topo da lista de exigências da sigla está o controle absoluto de palanques e indicações majoritárias em Mato Grosso, além de acordos severos em Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Foral. A ofensiva, encarada por interlocutores como um rastro de desespero para não perder espaço na polarização nacional, promete implodir os arranjos políticos locais já costurados pelas bancadas liberais.
A articulação agressiva coloca em xeque a estabilidade dos comitês centrais e abre uma crise sem precedentes na base conservadora e de direita. O comando do Republicanos avalia que o PL não pode dar como certo o apoio automático do bloco partidário sem oferecer um rastro de reciprocidade real nos estados em que a legenda tenta viabilizar candidaturas fortes ao Governo ou ao Senado. Em Mato Grosso, a exigência bate de frente com o xadrez eleitoral de lideranças tradicionais e com as projeções de institutos de pesquisa que desenham cenários competitivos para o Palácio Paiaguás, inflamando as bancadas locais que resistem a ceder o protagonismo de mão beijada para cumprir ordens de gabinetes de Brasília.
Diante do ultimato, os estrategistas da campanha de Flávio Bolsonaro correm contra o relógio para tentar amortecer a rebelião e restabelecer o rastro de diálogo na base de apoio. O comitê central do PL sabe que o isolamento do partido pode ser fatal em um cenário de segundo turno apertado, o que aumenta o poder de barganha do Republicanos na mesa de negociações. Enquanto as cúpulas nacionais tentam costurar uma cortina de fumaça e evitar que a briga por cargos e palanques fragilize o discurso de unidade da direita frente ao eleitorado, os diretórios regionais começam a se armar para o tudo ou nada, transformando os quatro estados exigidos nos campos de batalha mais sangrentos e imprevisíveis das convenções partidárias.
