O xadrez eleitoral rumo ao Palácio Paiaguás pegou fogo e entrou em uma rota de colisão explícita que ameaça implodir a unidade da base aliada governista. Em uma manifestação pública carregada de tradicional firmeza e sem papas na língua, o senador Jayme Campos (União Brasil) minimizou o anúncio oficial do Progressistas (PP) — que havia declarado apoio irrestrito ao nome do vice-governador Otaviano Pivetta — e garantiu que sua pré-candidatura ao Governo do Estado segue de pé e inabalável. Com o rastro de quem domina as bases partidárias há décadas, o cacique de Várzea Grande avisou que a única autoridade capaz de barrar o seu projeto político é a própria convenção partidária do União Brasil, jogando por terra os acordos de gabinete costurados pelas cúpulas partidárias.

A postura beligerante de Jayme Campos coloca um rastro de incertezas e novos problemas na estratégia do comitê central de Pivetta, que tentava apressar um clima de consenso artificial no bloco. O senador sustentou que, por pertencer aos quadros do União Brasil, não possui qualquer tipo de subordinação ou obrigação de se curvar às deliberações tomadas pelas lideranças do Progressistas, como o cacique Cidinho Santos. Jayme relembrou o peso histórico de sua trajetória pública e mandou um recado direto aos aliados e adversários, pontuando que o partido decidirá o candidato ao Paiaguás de forma soberana e democrática no voto dos delegados, e não por meio de pressões externas ou declarações antecipadas na imprensa.

O racha escancarado na base prova que o União Brasil caminha a passos largos para uma guerra interna fratricida e sem sobreviventes políticos por conveniência. Jayme Campos conta com a simpatia e o apoio velado de uma bancada robusta de deputados estaduais e prefeitos do interior que orbitam a mesa diretora da Assembleia Legislativa, incomodados com o ritmo de imposição da pré-candidatura de Pivetta. Enquanto os estrategistas do governo tentam abafar a rebelião e restabelecer pontes para manter o arco de alianças intacto, o senador varzeano mostra que está pronto para o tudo ou nada, transformando a próxima convenção partidária na batalha mais imprevisível e sangrenta da história recente de Mato Grosso.