A corrida para a sucessão presidencial de 2026 ganhou um freio de arrumação imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, determinou a suspensão imediata da divulgação e dos desdobramentos de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel. O levantamento havia apontado um desgaste relevante e uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, logo após virem a público áudios nos quais o parlamentar solicitava recursos financeiros ao empresário e banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão liminar do magistrado atendeu a uma representação jurídica de urgência protocolada pela defesa de Flávio Bolsonaro e pela cúpula nacional do PL. No pedido, os advogados do partido sustentaram que o formato do levantamento, registrado sob o número BR-06939/2026, foi estruturado para direcionar as respostas dos eleitores. Das 48 perguntas contidas no questionário, oito abordavam o escândalo financeiro do Banco Master e utilizavam termos carregados de forte conotação negativa, como “esquema de fraudes financeiras”, além de reproduzir o próprio arquivo audiovisual do áudio para capturar a reação dos entrevistados antes de questionar a intenção de voto.

Ao analisar o caso, o ministro Nunes Marques identificou “elementos minimamente consistentes” que apontam para o comprometimento da neutralidade metodológica exigida pela legislação eleitoral. Em seu despacho, o presidente do TSE destacou que as perguntas aparentavam extrapolar a simples aferição de opinião e introduziam “estímulos narrativos” capazes de contaminar as respostas posteriores sobre rejeição e imagem do pré-candidato. O ministro frisou ainda o ineditismo da estratégia, apontando que em outras 27 pesquisas registradas pela própria AtlasIntel não houve a inclusão de peças midiáticas ou questionamentos de caráter acusatório semelhantes.

Com a canetada, a AtlasIntel ganhou o prazo de dois dias para submeter ao tribunal a documentação técnica complementar que embase a sua metodologia, especialmente no que tange ao uso de ferramentas de mensuração de impacto audiovisual inseridas no meio do levantamento político. Em nota oficial, o instituto informou que respeita a determinação da Justiça Eleitoral e se diz tranquilo de que o rigor científico de seu estudo será comprovado. A decisão de Nunes Marques, que será submetida ao referendo dos demais ministros no plenário da Corte, injeta fôlego na pré-campanha de Flávio e acirra os debates jurídicos sobre os limites e as inovações metodológicas permitidas nas amostragens eleitorais.