A escalada de ataques coordenados nos bastidores políticos de Mato Grosso contra o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) ganhou um diagnóstico cristalino e definitivo. Movimentações recentes nos corredores do poder em Cuiabá revelam que a enxurrada de críticas e tentativas de desqualificar as ações da corte de contas não passam de uma manobra desesperada para tentar “cortar as asas” dos conselheiros. O objetivo principal dessa blindagem artificial é um só: intimidar o tribunal para enfraquecer o ritmo das auditorias severas que vêm colocando sob suspeita contratos milionários e desmascarando a suposta eficiência de grupos governantes.

O avanço implacável do TCE, sob a batuta firme do conselheiro presidente Sérgio Ricardo, transformou-se no pior pesadelo para os articuladores políticos que tentam surfar no discurso de austeridade fiscal. As investigações cirúrgicas do tribunal — que lançaram luz sobre escândalos vergonhosos, como a compra e descarte de livros didáticos e os repasses milionários sem transparência — quebraram a calmaria e os arranjos de gabinete que antes imperavam na capital. Ao invés de apresentarem justificativas técnicas plausíveis para sanar as irregularidades apontadas nas auditorias, as alas atingidas preferiram abrir fogo contra o órgão fiscalizador, tentando criar uma narrativa falsa de perseguição política.

Nos bastidores de Cuiabá e Rondonópolis, analistas apontam que a agressividade das críticas expõe a pane geral que tomou conta dos comitês que miram o pleito majoritário. Percebendo que o Tribunal de Contas não aceitará o uso político da máquina e que continuará apertando o torniquete em cima de licitações com fortes indícios de direcionamento e superfaturamento, o núcleo duro do poder tentou armar um cordão de isolamento institucional. Contudo, o tiro saiu pela culatra: a estratégia de tentar calar os conselheiros apenas confirmou para a opinião pública o rastro de desespero daqueles que viram as suas defesas jurídicas derreterem diante dos relatórios da perícia.

Enquanto as bancadas aliadas ensaiam manobras legislativas de retaliação e cortinas de fumaça nas redes sociais, o comando do TCE-MT já avisou que não recuará um único milímetro no cumprimento do seu dever constitucional. O compartilhamento célere das irregularidades com o Ministério Público e com a Polícia Federal fecha o cerco contra a corrupção de colarinho branco em Mato Grosso, ignorando as pressões e as ameaças veladas de quem achava que estava acima da lei. Sem o tapete vermelho da impunidade, os agressores assistem ao desmoronamento de suas blindagens políticas sob o peso esmagador da fiscalização técnica.