O brasileiro que não perde a mania de flertar com o perigo burocrático tem até as 18h desta quarta-feira, 6 de maio, para não ser “cancelado” pela democracia. O prazo final para regularizar o título, transferir o domicílio ou tirar a primeira via do documento chegou, e o que se vê em Rondonópolis é o tradicional desfile de cidadãos arrependidos que ignoraram o calendário por meses e agora precisam exercitar a paciência de um monge nas filas quilométricas dos cartórios eleitorais. É o momento em que a pressa encontra o descaso, e a Justiça Eleitoral tenta fazer em poucas horas o milagre que o eleitor não quis realizar em dois anos.

Ficar no “prejuízo” com o título de eleitor é um luxo que ninguém deveria se permitir, já que as consequências vão muito além de ficar de fora da festa das urnas em outubro. Sem o documento em dia, o cidadão descobre da pior forma que o Estado tem memória longa: o passaporte vira um sonho distante, o empréstimo no banco público vira lenda e até a matrícula na faculdade ou a posse em concurso público entram no campo da ficção científica. Em Mato Grosso, os plantões seguem a todo vapor para tentar evitar que o eleitor vire um “ponto de interrogação” administrativo, provando que, no Brasil, a cidadania muitas vezes só é levada a sério quando o risco de perder o CPF fala mais alto que a preguiça da última hora.